<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757</id><updated>2011-04-21T17:29:26.673-03:00</updated><title type='text'>Cadê Teresa?</title><subtitle type='html'>Esta e outras questões filosóficas que a música pop(ular) nos impõe</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>62</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-115276332461401332</id><published>2006-07-13T00:56:00.000-03:00</published><updated>2006-07-13T01:02:04.630-03:00</updated><title type='text'>Me leva amooooooooooooor!!!!!</title><content type='html'>Tava ouvindo o "Maria Bethânia", de 1969, nesta quarta - os discos da Bethânia estão sendo relançados, num projeto do pesquisador Rodrigo Faour. Ia saboreando os arranjos corajosos e elegantes, a voz de Betha mais áspera que a de hoje, o passeio entre macumba nervosa e o bolerão enfumaçado - vou escrever mais deste disco qualquer dia - até que me deparei com "Andança".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje essa canção é quase uma piada, sinônimo de chatice do corinho coletivo, zumbis da MPB de expressão abobalhada cantando num "barzinho" (esse "inho" transforma o local num gênero, "música de barzinho", essas coisas). O parceiro de &lt;strong&gt;&lt;a href="http://rio.metblogs.com"&gt;Metroblog&lt;/a&gt; &lt;/strong&gt;Nuno Virgílio descreveria bem a cena angustiante de estar num desses "barzinhos" e ouvir "Andança".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a música tem sua graça. Sempre soube disso. Confesso, porém, que tinha esquecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois Bethânia me lembrou que a música tem sua graça. Mais que isso. Me mostrou graças que não tinha visto. Sua interpretação me tirou do automático, me fez ouvir uma nova e mesma canção. Ela falando "Meu namorado é rei" com aquele sorriso dela é como se criasse outro verso. Ou o "Me leva amooooor". Essa sílaba prolongada não tem nada da banalidade do corinho. Soa como um grito convicto de quem ordena e suplica, ora bolas, para que seu amor a leve. Tem também o dengo dos "me leva amor" que ela canta no final - essa parte me fez pensar no maravilhoso disco de Vinicius que ela gravou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que mais chamou minha atenção foi o "Por onde for quero ser teu par". Tem mistério não. Nada de feitiçaria, só tecnologia. Ou melhor, matemática - no caso, a divisão das sílabas em tempos. Prolongando algumas, encurtando outras, uma ênfase aqui, outra ali, Bethânia fez umas sinuosidades no verso que todo mundo canta quadradão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca imaginei que fosse fazer isso, mas tô eu aqui indicando "Andança". Virou uma das minhas favoritas? Nem de longe. Mas a relação com música popular é feita dessas miudezas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-115276332461401332?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/115276332461401332/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=115276332461401332' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/115276332461401332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/115276332461401332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2006/07/me-leva-amooooooooooooor.html' title='Me leva amooooooooooooor!!!!!'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-115207807539724596</id><published>2006-07-05T02:39:00.000-03:00</published><updated>2006-07-05T17:46:44.746-03:00</updated><title type='text'>Far away, so close</title><content type='html'>Entre hoje e a última vez que postei aqui, estive em Berlim. Não, não fui à Copa. Voltei cinco dias antes do jogo de abertura, depois de ter passado uma semana lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na curta temporada, entre momentos de trabalho corrido e de turismo descarado, ouvi música. Não do meu iPod - que eu não tenho. Ou de CDs que eu teria levado se tivesse onde ouvi-los. Ouvi música que rolava por lá. Ou pelo menos o pouco que consegui - o guia cultural da cidade é mais grosso que qualquer revista semanal do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha programação incluiu shows de Gilberto Gil e Elvis Costello. Fui a uma festa de funk carioca, uma rock e uma de música russa (Russen Disko). Comi ao som de música indiana num restaurante indiano e de música vietnamita num restaurante vietnamita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também fiquei congelando na entrada de um show do Yeah Yeah Yeahs, esperando um cambista que passasse do meu lado e dissesse "Ingresso sobrando eu compro" ou simplesmente "ingresso". Mas os cambistas em Berlim são bem mais sutis, trabalham pela internet, resolvem tudo antes do show - eficiência germânica, enfim. Não cheguei a concretizar uma experiência musical naquela noite e essa história, na verdade, não interessa aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao que interessa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi bom ouvir Gilberto Gil cantando "Imagine" para um público de alemães e brasileiros, em ritmo de samba "eletracústico". Todos sabemos que "Imagine" não pode ser levado a sério hoje, se é que um dia pôde. Mas houve uma época em que aquele apelo ao fim das fronteiras soava mais pertinente que agora, quando a integração é uma realidade tocada por "mercados comuns". De qualquer forma, a integração de outra ordem proposta por Lennon se realizava ali, naquele microcosmo, de alguma maneira. Sonho só. Mas, como todo sonho, é bem real enquanto se sonha. Como disse, foi bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A experiência do show de Costello foi louca. Eu tinha virado a noite anterior, batendo uma matéria, e não consegui dormir ao longo do dia. Assisti ao show entre a insuportável vontade de dormir e o estado de enlevo e relaxamento total, que permitia que eu quase me diluísse na música. Lembro de pouca coisa, mas a voz rouca do cara acompanhada do piano exato, sem firulas, de Allen Toussaint (voz e piano de gente que viveu) ficou gravada na minha mente como sensação, grudada às imagens que via quando abria os olhos - as cortinas vermelhas e os belos lustres no alto do auditório chique da Universal onde rolou o show. Tudo trançado no mesmo delírio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A festa funk era para a colônia brasileira, com alguns alemães. A banda que tocou era bem sarapa, com covers dos sucessos do batidão dos anos 90 para cá. Engraçado sacar que - mais que a explosão criativa da periferia, mais que a música eletrônica brasileira por excelência - o funk virou símbolo de identidade nacional. Brasileiro com saudade do Brasil quer ouvir funk. Num futuro breve, toda a iconografia clichê nacional vai ser totalmente alterada por conta disso - o processo já começou. Amanhã as passistas emplumadas serão substituídas pelas cachorras de shortinhos nas imagens que fazem os turistas babarem. No lugar do expressionismo "Orfeu negro" da Marquês de Sapucaí, o expressionismo "Cidade de Deus" do baile funk. Isso não é um lamento nem uma comemoração. É uma constatação, apenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como no show de Costello, minhas lembranças da Russen Disko são vermelhas. Paredes vermelhas, luz vermelha, rostos vermelhos, tons avermelhados nos desenhos que passavam nas TVs da pista de dança. Alegria em ska, punk, fanfarras do leste europeu. Como o funk carioca, som de festa. Diferente de tudo, mas de apelo dançante facilmente reconhecível por qualquer um que já ouviu música pop produzida de "Rock around the clock" para cá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A festa rock era bandas britânicas e similares. A universal e quase sempre saudável ânsia pelo novo. O mesmo clima das festas rock daqui, de espaço apertado, aura submundo e hype no ar. Legal o lounge a céu aberto - um ar condicionado natural na noite da primavera berlinense.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos restaurantes, a música ambiente era mais um tempero que música em si. No indiano, sentia que ouvia a música popular contemporânea dos caras, tipo um Latino, uma Ivete Sangalo. Algo genuíno, enfim. No vietnamita, estava na cara que era um lance de dar um clima vietnamita, era um som tradicionalíssimo. Mas essas pequenas experiências gastronômico-musicais reforçavam o cosmopolitismo daquela cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei lá como é Berlim - alguém conhece uma cidade numa semana? Mas se me perguntarem, direi que a cidade é as popozuda, é ska russo tocado por fanfarra, é r&amp;amp;b chique, é underground hype, tudo living life in peace.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-115207807539724596?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/115207807539724596/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=115207807539724596' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/115207807539724596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/115207807539724596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2006/07/far-away-so-close.html' title='Far away, so close'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-114282405738775084</id><published>2006-03-20T00:04:00.000-03:00</published><updated>2006-03-20T00:07:37.403-03:00</updated><title type='text'>Do firmamento ao chão</title><content type='html'>Foi na Rua Getúlio, fronteira de Méier com Todos Os Santos, neste domingo. O mendigo batia uma garrafa pet no chão e berrava uma melodia conhecida. A letra vinha num esperanto bêbado, mas foneticamente lembrava a original. Nuns três segundos reconheci a canção: "Tempos modernos", clássico de Lulu Santos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais três segundos, me dei conta: que que era aquilo? Deboche? Esperança? Os dois?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Independentemente das intenções do mendigo, era a cultura pop manifestando seu profundo cinismo. Quando quer, ela sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue a letra (a do Lulu, claro. A do mendigo não entendi e nunca devo entender):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vejo a vida melhor no futuro&lt;br /&gt;Eu vejo isso por cima de um muro&lt;br /&gt;De hipocrisia&lt;br /&gt;Que insiste em nos rodear&lt;br /&gt;Eu vejo a vida mais clara e farta&lt;br /&gt;Repleta de toda satisfação&lt;br /&gt;Que se tem direito&lt;br /&gt;Do firmamento ao chão&lt;br /&gt;Eu quero crer no amor numa boa&lt;br /&gt;Que isto valha pra qualquer pessoa&lt;br /&gt;Que realizar&lt;br /&gt;A força que tem uma paixão&lt;br /&gt;Eu vejo um novo começo de era&lt;br /&gt;De gente fina, elegante e sincera&lt;br /&gt;Com habilidade&lt;br /&gt;Pra dizer mais sim do que não&lt;br /&gt;Hoje o tempo voa amor&lt;br /&gt;Escorre pelas mãos&lt;br /&gt;Mesmo sem se sentir&lt;br /&gt;E não há tempo que volte, amor&lt;br /&gt;Vamos viver tudo que há pra viver&lt;br /&gt;Vamos nos permitir&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-114282405738775084?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/114282405738775084/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=114282405738775084' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/114282405738775084'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/114282405738775084'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2006/03/do-firmamento-ao-cho.html' title='Do firmamento ao chão'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-113805102770754521</id><published>2006-01-23T19:12:00.000-02:00</published><updated>2006-01-23T19:17:07.746-02:00</updated><title type='text'>Meus tesouros de Augusto Malta</title><content type='html'>Meus CDs ficam num quarto lá em casa, empilhados (isso mesmo) em ordem alfabética. Mas na sala, perto do som, tem uma caixinha de madeira, ilustrada com umas fotos do Rio Antigo, que guarda os discos que tenho ouvido (ou quero ouvir) com mais freqüência. Esta segunda, quando saí de casa, tava assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Memorável samba", Marcos Sacramento&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sambas antigos sem cara de samba antigo. Sacramento canta como quem viveu, não como quem entoa hino. Os arranjos são contemporâneos e o repertório se afasta das obviedades do "samba de raiz". Destaco "Mulato bamba", maliciosa na medida certa na voz do cantor. A genial "Fez bobagem" ("Quando eu penso que outra mulher/ Requebrou pro meu moreno ver" é maravilhoso) me decepciona um pouco, mais pelo arranjo que pela interpretação. Mas o balanço é positivo demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Música para beber e brigar", Matanza&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São melodias pop de cantar junto na segunda audição e tesão hardcore nos arranjos, combinando perfeitamente com as letras divertidíssimas que embarcam integralmente no universo viril do Velho Oeste. Jimmy London consegue imprimir sinceridade em versos como "Taberneira, traga o gim/ Tem uma mulher ai/ Que não quer mais saber de mim" ou "Maldito hippie sujo/ Quero que vá embora/ Saia já daqui" ou o primor "O último bar quando fecha de manhã/ Só me lembra que eu não tenho aonde ir". Os brutos também poemam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Original Olinda Style", Eddie&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tudo me atrai nesse disco. Tem a dicção de Trummer encaixando em suas melodias meio faladas na sua guitarra totalmente original - um groove que acho que tem a ver com frevo em algum ponto de sua árvore genealógica. Destaco "É assim que ela é/ Metade futebol, metade mulher", que une as duas metades numa letra que remete à alma da narração de um jogo. Ou o samba-bebum "Me dê uma cachaça". Disco clássico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Piratão", Quinto Andar&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meio cru demais nas bases, meio marrento demais na postura, meio ingênuo demais em suas críticas político-sociais... Mas tem uma verdade ali, né posado não. Na maior parte do tempo, me divirto com o CD. Crônica de uma certa galera de classe média baixa do início deste século 21. Recomendo, mas tem que estar de bom humor. Paula acha chato paca (desta lista, é o único que só escuto quando ela não está em casa).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Traz a pessoa amada em 3 dias", Canastra&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pop com inteligência e humor de primeira (não por acaso, "pop", "inteligência" e "humor" são três palavras que uso demais por aqui). Apesar de ao vivo o Canastra se mostrar com mais intensidade, o disco é maravilhoso. Nada de cinismo que se faz passar por esperteza: a ordem é saber olhar as merdas da vida do melhor ângulo - da mulher que te largou até a auto-estima baixíssima que nos abate vez por outra. Mas sem ingenuidade: "Se você hoje descobriu que é um fracassado, sorria/Você será um faixa preta na arte de apanhar calado". Que tal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Minha lôa", Naná Vasconcelos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem um jeitão ancestral, meio mágico, das coisas do Naná Vasconcelos. Mas ao mesmo tempo é moderno demais, não precisa estar com espírito "Tenda Raízes" para curtir. Não precisa embarcar na transcendência "séria". Mesmo porque Naná dá um ar de brincadeira ao disco, misturando afoxé, samba, eletrônica, sem muito discurso amarrando conceitos. O que me fascina mesmo no CD são os caminhos melódicos, de sangue africano, com destaque para "Gorée".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Two great experiences", Lonnie Youngblood featuring Jimi Hendrix&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Domingo à noite, pouco antes de sair, ainda tentando abandonar a preguiça, peguei esse CD, pus para ouvir e caiu bem demais. Nas gravações blues/soul da primeira metade dos anos 60, aparece Hendrix, ao lado do saxofonista, desenvolvendo a técnica - ou melhor, parte dela, a parte mais groovy e melancólica - que explodiria na obra-prima "Are you experienced?". Quero ouvir mais, mas já posso afirmar que é - como diria o César usando um termo das Ciências Sociais - papa fina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"You've come a long way, baby", Fatboy Slim&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu convite à dança, irresistível, é da mesma ordem daquele feito por Bill Halley, Little Richard e Chuck Berry. Buscando na etimologia do termo, portanto, esse mergulho na eletrônica é mais "rock'n roll" que muita coisa que se dizia como tal em 98, quando ele chegou às lojas. Loops melódicos que envolvem, algumas graça de harmonia nos encontros de guitarras meio tortas e um ritmo que só sei explicar como orgânico, pela maneira com que afeta fisicamente o corpo. Esse vai demorar a sair dos braços de Augusto Malta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-113805102770754521?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/113805102770754521/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=113805102770754521' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/113805102770754521'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/113805102770754521'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2006/01/meus-tesouros-de-augusto-malta.html' title='Meus tesouros de Augusto Malta'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-113778613297909751</id><published>2006-01-20T17:20:00.000-02:00</published><updated>2006-01-20T17:42:15.446-02:00</updated><title type='text'>Enfim, '4'</title><content type='html'>Ainda não tinha escrito nada sobre o “4”, mais recente CD do Los Hermanos. Ouvi o disco (algumas vezes com atenção outras como fundo musical), li coisas muito legais (destaco a &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.gardenal.org/urbe/2005/08/"&gt;entrevista&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; de Bruno Natal com o produtor Kassin), mas ele não tinha me movido a pôr algo no papel (no HD, no servidor). Pelo menos até sexta-feira passada, quando fui na estréia da temporada dos caras no Canecão. Então, décadas depois do restante da humanidade, aí vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha impressão, formada ao longo do show, foi a de que em muitos momentos de sua atual fase “4” o Los Hermanos abriu mão do pop inteligente e fresco (de frescor, não de frescura) de seus outros trabalhos para ser... Dori Caymmi. Ou Wagner Tiso. Harmonias ousadas, andamentos lentos, canções que não parecem canções. Tão ou mais inteligente e provocador quanto sempre foi. Mas a inteligência pop que eles, se ainda não deixaram, estão deixando para trás (exemplo: não me lembro, no repertório do show, de nenhuma música do sensacional disco de estréia do grupo, o mais escancaradamente pop de todos) é de outra ordem. Mais rara, acho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixar claro: não sou uma viúva do Los Hermanos dos “good old times”. Confesso que, neste aqui-agora, tendo a preferir a fase pop, que trazia sob a superfície de comunicação direta uma elaboração profunda. Mas essa fase está lá, registrada em discos empilhados aqui em casa para a hora em que eu quiser ouvir. Não posso nem quero exigir nada sobre os caminhos que o Los Hermanos escolhe para si. A pior coisa que pode acontecer a uma banda é se tornar refém de seus fãs ou apreciadores (uma espécie de “fã” um pouco mais racional). E desse mal o Los Hermanos definitivamente não sofre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra: se posso preferir tudo, para que me agarrar a A ou B? Em outras palavras: a fase “4” tem outros gostos que curto saborear. Foi ótimo ver Marcelo Camelo tocando suas novas músicas com aquela combinação de mão direita de guitarra e mão esquerda de violão – cada hemisfério cerebral jogando para um lado da sensibilidade do sujeito. Ou embarcar nos detalhes de ourivesaria das harmonias de “Dois barcos” ou “Pois é”. Ou tentar entender a existência de “Horizonte distante” – espero que você saiba o que estou querendo dizer. E ver Barba (desde sempre a âncora da banda, o pé no chão, a segurança) mergulhando em outras ondas, mais climático mas sem abandonar a precisão rítmica. E Amarante - cara que, gostem ou não, inegavelmente nasceu para o que faz – cada vez mais refinado como compositor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, o clima deste texto não é “morena, tem pena, ouve o meu lamento”. Está mais para “Morena, tá tudo bem”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela primeira vez não saí de um show do Los Hermanos “recarregado”, com o espírito completamente leve. Agora vê como é esse negócio de show... É uma experiência única para cada pessoa, cada ponto de vista. Foi o primeiro show deles que não assisti no olho do furacão, nos lugares mais baratos, enfim, no meio dos fãs. Isso faz diferença. Não acho que o meu Balcão Nobre foi determinante para minha percepção do show, mas entra na equação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nervoso e Os Calmantes abriu a noite. “Já desmanchei minha relação” é bacana, mas não acho sua música interessante, de uma maneira geral. Talvez porque Nervoso nunca entre de coração na onda do romantismo brega/ Jovem Guarda, base do seu som. A todo tempo, um espírito de chacota parece estar no ar. E isso me incomoda. É uma sensação que nunca tive com Los Hermanos ou Pato Fu (em suas incursões por esse universo) e não tenho hoje com Cidadão Instigado, por exemplo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-113778613297909751?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/113778613297909751/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=113778613297909751' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/113778613297909751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/113778613297909751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2006/01/enfim-4.html' title='Enfim, &apos;4&apos;'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-113387115060612514</id><published>2005-12-06T10:03:00.000-02:00</published><updated>2005-12-06T10:12:32.163-02:00</updated><title type='text'>Só quem morre dentro de uma igreja</title><content type='html'>Estive na simpática Acari Records na última quarta-feira (&lt;a href="http://oglobo.globo.com/online/cultura/189486663.asp"&gt;&lt;strong&gt;leia aqui&lt;/strong&gt; &lt;/a&gt;a matéria que fiz pro Globo Online). Lá, saboreei um grande vatapá feito pela baiana Glória e ouvi uma linda história sobre Pixinguinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num canto do terraço havia uma estátua de Pixinguinha recostado sobre uma lua minguante, prosaicamente coberta com um plástico - "a poeira aqui é uma coisa séria", a anfitriã Luciana Rabello explicou. A imagem, contou Luciana, foi feita por Elifas Andreato para o bar Vou Vivendo, de São Paulo. Quando o bar fechou, em 97, uma turma que incluía o poeta Hermínio Bello de Carvalho saiu levando a estátua pela noite paulistana. Num dos botequins, Pixinguinha ficou sem que ninguém se desse conta. Anos depois, soube-se que a imagem tinha sido achada (sem a lua da base) por Esmeralda, uma ex-menina de rua, num lixão da cidade. Ela pegou a estátua e a levou. Não porque era fã do mestre, que nem reconheceu. Para ela, a estátua era a de um Preto Velho. E ela prestava seu culto ao negro de chapéu, com sax no colo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei dos versos de Paulo César Pinheiro para a música de Moacyr Luz, "Som de prata": "Só quem morre dentro de uma igreja vira orixá. Louvado seja, Senhor, meu santo Pixinguinha".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Googlando, soube que a história já é bem conhecida por aí. Mas quis contar mesmo assim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-113387115060612514?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/113387115060612514/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=113387115060612514' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/113387115060612514'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/113387115060612514'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2005/12/s-quem-morre-dentro-de-uma-igreja.html' title='Só quem morre dentro de uma igreja'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-112897980600940884</id><published>2005-10-10T18:27:00.000-03:00</published><updated>2005-10-10T18:35:43.243-03:00</updated><title type='text'>Da Barra pra Vila</title><content type='html'>Estive na Barra da Tijuca semana passada. Costumo ir lá não e confesso que tenho um problema com essa região da cidade. Me incomoda aquela coisa de tudo lá ser cópia, da Estátua da Liberdade à Pizzaria Guanabara, do Downtown (um centro de cidade &lt;em&gt;fake&lt;/em&gt;) à Praça XV do Barrashopping.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sei que não é tão simples assim, o problema é mais meu que da Barra. Afinal, a arquitetura do Centro, que amo, é em certa medida também réplica. Pereira Passos quis criar uma capital moderna no início do século 20 e tomou Paris como modelo. Seu sucessor ergueu o Teatro Municipal, uma réplica da Ópera de Paris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que falta à Barra talvez seja só História. Tempo. Tipo a boneca de gesso de Manuel Bandeira, feita em escala industrial, que depois de ganhar as marcas do tempo adquiriu uma certa humanidade ("Hoje esse gessozinho comercial/ É tocante e vive, e me fez agora refletir/ Que só é verdadeiramente vivo o que já sofreu").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de Bandeira, porém, pensei em Grande Otelo cantando Noel, na opereta "A noiva do condutor". A música é "Tipo zero". Acho que o cara da Vila matou a chave da identidade da Barra: o bairro é meio tipo zero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Você é um tipo que não tem tipo&lt;br /&gt;Com todo tipo você se parece&lt;br /&gt;E sendo um tipo que assimila tanto tipo&lt;br /&gt;Passou a ser um tipo que ninguém esquece"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-112897980600940884?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/112897980600940884/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=112897980600940884' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/112897980600940884'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/112897980600940884'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2005/10/da-barra-pra-vila.html' title='Da Barra pra Vila'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-112836092905944567</id><published>2005-10-03T14:32:00.000-03:00</published><updated>2005-10-03T14:36:36.243-03:00</updated><title type='text'>Batuque de boca</title><content type='html'>Foi assim, quase onomatopeicamente, que Elza Soares - em entrevista nos bastidores do VMB - se referiu ao que costumam chamar de "beatbox". Lindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto falando como cantando, Elza erra muito. Mas, em ambos os casos, quando acerta ela é incomparável.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-112836092905944567?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/112836092905944567/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=112836092905944567' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/112836092905944567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/112836092905944567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2005/10/batuque-de-boca.html' title='Batuque de boca'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-112751463439821669</id><published>2005-09-23T19:26:00.000-03:00</published><updated>2005-09-27T16:23:56.323-03:00</updated><title type='text'>Três dores recentes</title><content type='html'>"Pra que chorar se existe amor/ A questão é só de dar/ A questão é só de &lt;strong&gt;dor&lt;/strong&gt;", Vinicius de Moraes, transantontem, no imperdível documentário 'Vinicius', de Miguel Faria Jr.. Mais um tratado filosófico do poeta, do qual não eu soube falar muito bem na &lt;a href="http://oglobo.globo.com/online/cultura/169908981.asp"&gt;matéria que fiz para o Globo Online&lt;/a&gt;. Queria dizer ali o quanto sua poesia e vida foram coerentes, e como defendem um modo de encarar a vida, uma filosofia prática e profunda, apesar de sua beleza óbvia e aparente simplicidade. Desisto de tentar. Vá ver o filme quando estrear no circuito, porque no Festival do Rio meio já era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Evitar a &lt;strong&gt;dor&lt;/strong&gt; é impossível/ Evitar este amor é muito mais", Monsueto anteontem, na voz de Leila Maria, acompanhada apenas de um baixo. Já tinha ouvido ela cantar antes, mas foi com essa gravação que a ficha caiu. De ouvir no repeat, repeat, repeat...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A minha &lt;strong&gt;dor&lt;/strong&gt; não é a &lt;strong&gt;dor&lt;/strong&gt; dela/ A minha &lt;strong&gt;dor&lt;/strong&gt; é Doriana e a &lt;strong&gt;dor&lt;/strong&gt; dela é Adorela", com DJ Dolores, ontem, eu e Paula dançando na sala sozinhos, bobos, depois do banquete de arrozfeijãonuggetsovocozido. E suco de laranja.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-112751463439821669?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/112751463439821669/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=112751463439821669' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/112751463439821669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/112751463439821669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2005/09/trs-dores-recentes.html' title='Três dores recentes'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-112714457224014875</id><published>2005-09-19T12:37:00.000-03:00</published><updated>2005-09-19T12:42:52.246-03:00</updated><title type='text'>Da janela do 'Hotel'</title><content type='html'>Sei que não tem nada a ver, que música é música, qualquer maneira de tocar vale a pena, não é nada estranho as pessoas trafegarem de um lado pro outro sem se ligarem em fronteiras, diferenças. Sei disso tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas que é curioso ver um cara que conheci como DJ posando de guitar-hero, ah isso é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostei do show do Moby também por isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-112714457224014875?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/112714457224014875/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=112714457224014875' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/112714457224014875'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/112714457224014875'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2005/09/da-janela-do-hotel.html' title='Da janela do &apos;Hotel&apos;'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-112650015441969348</id><published>2005-09-12T01:29:00.000-03:00</published><updated>2005-09-12T01:42:34.423-03:00</updated><title type='text'>Quem sabe sabe (como se escreve isso em coreano?)</title><content type='html'>Vi neste fim de semana o lindo "Casa vazia", do coreano Kim ki-duk. É impressionante como o simples ato de pôr um CD para tocar pode ser a carícia mais plena. Kim tem as manhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inveja. Sou craque em escolher exatamente a música que Paula não quer ouvir. Mas, antes que sintam pena de mim, registro que às vezes escolho a boa. Às vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra sugestão cinematográfica-musical que todos já devem ter visto, mas como ainda está em cartaz, lá vai: "9 canções".  Com má vontade, pode ser classificado como "pornô-indie". Mas o filme é muito mais. Lança sensível olhar sobre essa coisa que se chama relacionamento amoroso, através das lentes do sexo e da música - ambos explícitos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-112650015441969348?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/112650015441969348/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=112650015441969348' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/112650015441969348'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/112650015441969348'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2005/09/quem-sabe-sabe-como-se-escreve-isso-em.html' title='Quem sabe sabe (como se escreve isso em coreano?)'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-112490619296119999</id><published>2005-08-24T14:54:00.000-03:00</published><updated>2005-08-24T14:56:32.966-03:00</updated><title type='text'>Momento 14 anos</title><content type='html'>Não os 14 anos sábios de Paulinho da Viola, quando ele descobriu que sambista não tem valor nesta terra de doutor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falo da idade-babaquice. Confesso que retorno a ela quando ouço o recém-lançado "Acústico MTV" do Ultraje a Rigor. Pronto, contei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roger faz muito bem em guardar no armário boa parte de seus 400 pontos de QI, escolhendo os neurônios mais bacanas na hora de compor. "Rebelde sem causa", "Mim quer tocar", "Inútil", "Independente Futebol Clube" e "Nós vamos invadir sua praia", só para citar algumas, são inteligentes e engraçadas, como os melhores papos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Menção honrosa a "Nada a declarar", que eu me pego cantarolando muitas vezes por dia. Sobretudo o refrão: "Eu não tenho nada pra dizer/ Também não tenho mais o que fazer/ Só pra garantir esse refrão/ Eu vou enfiar um palavrão/ Cu!". Descontando sua auto-ironia genial, a música é 14 anos até o talo, quando falar um palavrão por si só já é um deleite - tá bom, talvez um pouco menos, uns 10 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma, se eu fosse músico, queria muito ter a liberdade de gravar uma coisa assim depois dos 40 e soar verdadeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De novo. Cu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei do "A gente faz letra infantil/ Vai pra puta-que-pariu", do Karnak. Também adoro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-112490619296119999?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/112490619296119999/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=112490619296119999' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/112490619296119999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/112490619296119999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2005/08/momento-14-anos.html' title='Momento 14 anos'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-112186574725071719</id><published>2005-07-20T10:21:00.000-03:00</published><updated>2005-07-20T10:22:27.256-03:00</updated><title type='text'>Anarchy in CCBB</title><content type='html'>Entrei no cinema do CCBB o filme já estava nos segundos iniciais. Era “O lixo e a fúria”, documentário sobre ascensão e queda dos Sex Pistols e de tudo que a banda, querendo ou não, representava. Sentei no primeiro lugar que vi, na quarta ou quinta fileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cara do meu lado (30, como escreveria a Caras – talvez pouco mais, talvez pouco menos) tirou e paletó e cabidou-o cuidadosamente no banco da frente. Quando chegou gente para sentar ali, ele teve que tirar. Antes disso, porém, com movimentos que denunciavam, mesmo na penumbra, que estava fazendo algo que considerava profundamente ilícito, ele meteu a mão no bolso do paletó pendurado e sacou uma latinha. Era Brahma. Lá pelas tantas, acabou aquela e ele abriu outra. Vibrou demais com o filme. Riu, cantou e sacudiu a cabeça, ungido pelo óleo santo da transgressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Funks à parte, esse é o punk possível ou eu estou sendo muito cético? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, vem cá, isso é ruim? Ou seja, até que ponto o punk não era só “have fun” mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O doc é bom demais também pelo humor (o grosseiro da superfície e o finíssimo, inglês demais, do subtexto). Quase revelação para mim ver que punk também é isso. Mas era um tanto óbvio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém do grupo diz no filme que “os punks estragaram tudo” ao transformar em padrão as roupas rasgadas e o corte moicano, quando na verdade a mensagem era de morte aos padrões. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O movimento foi absorvido pelo sistema”, é o lamento. Os hippies também se ressentiram, assim como grunges, os rappers e antes e depois deles uma porrada de outros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que o foco desse lamento é meio boboca.  O lance é: o choque é sempre efêmero, nunca dura para sempre – na verdade, muito menos que isso. E ponto. No future para o choque. O que importa, no fim, é apenas COMO o tal sistema absorveu a coisa. Em outras palavras, como o sistema era antes e como ficou depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhando por esse ângulo, o punk foi muito mais importante do que faz supor a “cena punk local” (de qualquer local) que ainda se arrasta por aí, como zumbi de filme B.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-112186574725071719?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/112186574725071719/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=112186574725071719' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/112186574725071719'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/112186574725071719'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2005/07/anarchy-in-ccbb.html' title='Anarchy in CCBB'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-111939116836363253</id><published>2005-06-21T18:53:00.000-03:00</published><updated>2005-06-21T18:59:28.366-03:00</updated><title type='text'>Quem dera</title><content type='html'>"Can’t you see that it’s just raining&lt;br /&gt;There ain’t no need to go outside"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terça-feira, dia de trabalho, havia necessidade de sair sim. Nem sempre a vida é uma canção do Jack Johnson, mole assim feito requeijão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas continua caindo bem "Banana pancakes", "Good people" e outras odes à vida desencanada do mais recente CD do sujeito, "In between dreams". Mal descansa no cansado CD player lá de casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-111939116836363253?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/111939116836363253/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=111939116836363253' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/111939116836363253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/111939116836363253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2005/06/quem-dera.html' title='Quem dera'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-111879852238651063</id><published>2005-06-14T22:18:00.000-03:00</published><updated>2005-06-15T14:06:05.980-03:00</updated><title type='text'>De que vale o céu azul?</title><content type='html'>'"Quero que vá tudo pro inferno" é a mãe da tropicália, e o Brasil em que a gente vive é filho dessa canção."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A frase é de Pedro Alexandre Sanches em entrevista no blog &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.gardenal.org/trabalhosujo"&gt;"Trabalho sujo"&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, de Alexandre Matias. Vale ler a história completa. E os outros posts também. "Trabalho sujo" é espaço inteligente e divertido para pensar música e cultura pop.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-111879852238651063?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/111879852238651063/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=111879852238651063' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/111879852238651063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/111879852238651063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2005/06/de-que-vale-o-cu-azul.html' title='De que vale o céu azul?'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-111842316595629989</id><published>2005-06-10T14:01:00.000-03:00</published><updated>2005-06-10T14:06:05.960-03:00</updated><title type='text'>Hello, darkness</title><content type='html'>Para mim e para muita gente, Anne Bancroft era Mrs. Robinson, a coroa segura e insegura que seduzia o garoto Benjamin em "A primeira noite de um homem". É um dos meus filmes favoritos – do Dapieve também, soube na coluna de hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dapieve lembrou da canção "Mrs Robinson", de Simon e Garfunkel, para homenagear Bancroft na semana de sua morte. Grande canção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas para mim, a música do filme e de Mrs. Robinson é "The sound of silence". Pela tristeza sublime da letra (primeiros versos: "Hello darkness, my old friend,/ I’ve come to talk with you again"), das vozes e do violão. Uma tristeza que tem a ver com sabedoria, não com depressão e resignação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, a melhor cena de Anne "Mrs. Robinson" Bancroft no filme, talvez a melhor cena do filme, é aquela na qual a filha descobre que Benjamin saía com sua mãe. Mrs Robinson molhada de chuva, no fundo do plano, explicando tudo sem dizer nada, é genial. "The sound of silence" puro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-111842316595629989?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/111842316595629989/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=111842316595629989' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/111842316595629989'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/111842316595629989'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2005/06/hello-darkness.html' title='Hello, darkness'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-111824792895884301</id><published>2005-06-08T13:21:00.000-03:00</published><updated>2005-06-08T13:25:28.963-03:00</updated><title type='text'>Irmãos White</title><content type='html'>Não era só a música – como sempre, aliás. Quando Jack White entrou no palco vestido de Exu e Meg com aquele sorriso de garotinha possuída, ladeados por estatuetas, lembrei do misto de medo e fascínio que sentia quando era moleque e passava em frente àquelas casas que exibem imagens na calçada e vendem velas grossas e coloridas, vasilhames de barro, flores, tudo exalando um cheiro forte que combinava com o visual – depois descobri que o nome daquilo era incenso. Resumindo, “lojas de macumba”, como eu costumava chamar genericamente o tal comércio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tive medo de Meg e Jack, mas sentia no ar mesmo peso. No lugar do incenso, porém, era o esporro genial da dupla – com pitadas de blues, country, funk – que engrossava a atmosfera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais que tornar o ar espesso, o esporro deles exala tesão, energia vital, ou sei lá como você chama essa coisa que faz a gente rir e chorar, amar e odiar, além de gastar dinheiro com discos. E eles quase nos dão o sentido desse troço ao transformá-lo em música. Como Kurt Cobain se esgoelando em “Where did you sleep last night?”, no “Acústico” do Nirvana, e Tom Jobim, bêbado, machucando com jeitinho (negue!) o piano e cantarolando em “Anos dourados”, ainda sem letra, numa gravação caseira de Chico Buarque – CD encartado numa biografia do maestro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempo: era o show de lançamento do CD “Get behind me Satan”, do White Stripes, no Claro Hall, onde você estava ou deveria estar na noite de sexta-feira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo show, deu para perceber que o novo disco, que ainda não ouvi, é mais elaborado, como o pessoal tem falado por aí. Mas no palco, pelo menos, essa elaboração não rima com pretensão. É tudo seco, não há espaço para firula. Há um piano lá, sim, mas Jack o toca com a mesma pressão que dedica à guitarra. E Meg continua fazendo uma bateria tão tecnicamente básica que muitos acreditam que ela toca mal. Visão limitada e leviana, é claro. Deixa estar. Tem gente que diz isso de Ringo também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silvio e Alexandra disseram que preferiram este ao do TIM Festival de 2003. Paula adorou esse, mas acha que gostou mais do outro. Eu sei lá. É como comparar duas trepadas magníficas (era esse o adjetivo que Julia Lemmertz usava em “Um copo de cólera” para qualificar, in loco, o desempenho sexual de Alexandre Borges. De tão inadequado o termo, acho divertido).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A metáfora não é por acaso. A virilidade agressiva de Jack no palco, combinada com a ternura insana em seus olhares para Meg, a forma como Meg se desmancha, retorcendo o pescoço, de olhos fechados, mas ao mesmo tempo mostrando força e decisão quando bate suas baquetas em uníssono, as duas mãos descendo juntas e com força... Aquilo é sexo. Dos bons.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jack diz gostar de citações bíblicas – o nome do CD é extraído de uma fala de Jesus para Pedro. No cenário, uma maçã pairava como um sol sobre o paraíso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagem perfeita. White Stripes tem a ver sim com a proibida “árvore da ciência do bem e do mal”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paula adora o jeito como Meg se mexe em sua bateria. Ela tem razão, é maravilhoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois, no show, eu via Miss White na bateria e Paula dançando na minha frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigado, meu Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui para lá preparado para sair falando que White Stripes era a melhor banda do rock contemporâneo, e uma das maiores de todos os tempos. Quando acabou, não falei. Achei meio óbvio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-111824792895884301?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/111824792895884301/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=111824792895884301' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/111824792895884301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/111824792895884301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2005/06/irmos-white.html' title='Irmãos White'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-111819710270423436</id><published>2005-06-07T23:11:00.000-03:00</published><updated>2005-06-07T23:18:22.706-03:00</updated><title type='text'>Música e canção 2: Uma lista</title><content type='html'>Tinha comentado aqui que ia postar uma lista de canções. Aí vão algumas das que caem bem agora – muitas delas, sempre. Em ordem alfabética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A bruxa de mentira", com João Donato&lt;br /&gt;"Choro esdrúxulo", com Jards Macalé&lt;br /&gt;"As curvas da estrada de Santos", com Roberto Carlos&lt;br /&gt;"Duas opiniões", com Tom Zé&lt;br /&gt;"Essa moça tá diferente", com Chico Buarque&lt;br /&gt;"Hoje", com mim&lt;br /&gt;"I don’t know what to do with myself", com White Stripes&lt;br /&gt;"I feel fine", com Beatles&lt;br /&gt;"Let's get lifted", com John Legend&lt;br /&gt;"Love buzz", com Nirvana&lt;br /&gt;"Mas quem disse que eu te esqueço", com Dona Ivone Lara&lt;br /&gt;"Menina bonita", com Pena Branca e Xavantinho&lt;br /&gt;"Meninos", com Xangai e Quinteto da Paraíba&lt;br /&gt;"Nêga Jurema", com Raimundos&lt;br /&gt;"Now I wanna be your dog", com Stooges&lt;br /&gt;"Número um", com Caetano Veloso&lt;br /&gt;"Pelos ares", com Adriana Calcanhotto&lt;br /&gt;"Pump it", com Black Eyed Peas&lt;br /&gt;"Que loucura!", com Cachorro Grande&lt;br /&gt;"O quitandeiro", com Monarco&lt;br /&gt;"Roupa no varal", com Lula Queiroga&lt;br /&gt;"Sei lá, Mangueira", com Elizeth Cardoso&lt;br /&gt;"Suíte", com Romulo Fróes&lt;br /&gt;"Tell her tonight", com Franz Ferdinand&lt;br /&gt;"There’s too much love", com Belle and Sebastian&lt;br /&gt;"Tranqüilo", com Thalma de Freitas&lt;br /&gt;"Você pode ir na janela", com Gram&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-111819710270423436?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/111819710270423436/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=111819710270423436' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/111819710270423436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/111819710270423436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2005/06/msica-e-cano-2-uma-lista.html' title='Música e canção 2: Uma lista'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-111783407923064806</id><published>2005-06-03T18:26:00.000-03:00</published><updated>2005-06-03T18:27:59.233-03:00</updated><title type='text'>Everybody now: 'We are the woooooorld'</title><content type='html'>Em meio a forrós safados, sambas-enredo, pagodes genéricos aos montes, Legião Urbana, Raul Seixas e muita Alcione (a campeã), a canção de Michael Jackson e Lionel Ritchie é, surpreendentemente para mim, um hit nas jukeboxes dos botequins mais vagabundos (sonoridade linda essas palavras juntas, coisa de Aldir). Já ouvi na Lapa, na Tijuca e, mais de uma vez, no Corredor Cultural do Balança Mas Não Cai – apelido carinhoso que meu pai deu ao conjunto de pés-sujos na esquina da Rua de Santana com a Presidente Vargas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempo: o julgamento do autor branco da música está perto do fim. Tenho a impressão de que boa parte da turma do Balança livraria a cara do sujeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falando das jukeboxes de botecos, presto maior atenção nelas. O que rola nessas caixinhas diz muito da cultura brasileira. Logo, o futuro da nossa música popular certamente passa por ali. Também, é claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prometi uma lista num comentário abaixo. Posto nos próximos dias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-111783407923064806?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/111783407923064806/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=111783407923064806' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/111783407923064806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/111783407923064806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2005/06/everybody-now-we-are-woooooorld.html' title='Everybody now: &apos;We are the woooooorld&apos;'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-111637387214584516</id><published>2005-05-17T20:48:00.000-03:00</published><updated>2005-05-17T20:51:12.150-03:00</updated><title type='text'>Música e canção</title><content type='html'>"Gosto de música. De música não, de canções. Canção é canção, é outra coisa."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais ou menos isso que disse a prostituta de "Nós fazemos falta", despretensioso e agradável road-movie espanhol que assisti ontem no EuroChannel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também gosto de canções, mais do que de música.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-111637387214584516?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/111637387214584516/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=111637387214584516' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/111637387214584516'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/111637387214584516'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2005/05/msica-e-cano.html' title='Música e canção'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-111585498246012019</id><published>2005-05-11T20:39:00.000-03:00</published><updated>2005-05-11T20:43:02.466-03:00</updated><title type='text'>Esses moços</title><content type='html'>"Nervos de aço" seria um nome ótimo para o disco solo do gaúcho (Nenhum de Nós) Thedy Corrêa, que propõe, entre erros e acertos, o encontro da música de Lupicínio Rodrigues com timbres e ritmos eletrônicos. O título traduziria com perfeição a proposta: a imagem do nervo (orgânico e dramático, como as canções de Lupicínio) de aço (a sonoridade metálica, sintética do CD).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O próprio Thedy dá a dica ao deixar "Nervos de aço" como a única música em vermelho na listagem da contracapa. Mas preferiu, para a capa, o engraçadinho e superficial "Loopcínio".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nome à parte, vale a audição. É uma aproximação respeitosa – sem iconoclastia vazia por um lado, nem frescuras de não-me-toques por outro – que procura tirar a tradição da música brasileira do Olimpo bolorento da MPB e a trazê-la para a rua, para pegar um ônibus, ir à praia, passear no shopping, tomar uma cerveja. Oxigenar-se, enfim. É maior que Thedy, pois outras pessoas vêm no mesmo caminho. Gente como Adriana Maciel,  SuperLisa e até (acabo de receber e escutar) Leila Pinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas vezes, Sacha Ambak e Ramiro Musotto estão nos bastidores fazendo a ponte. Caras bons.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-111585498246012019?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/111585498246012019/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=111585498246012019' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/111585498246012019'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/111585498246012019'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2005/05/esses-moos.html' title='Esses moços'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-111533067410346694</id><published>2005-05-05T18:56:00.000-03:00</published><updated>2005-05-05T19:04:34.106-03:00</updated><title type='text'>Estudando Teresa</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Num dos mails que troco vez em quando com Tom Zé, enviei o link deste "Cadê Teresa?". Entre as viagens e entrevistas para divulgação de seu novo CD (o liricamente e musicalmente provocador "Estudando o pagode"), ele fez questão de me mandar um comentário sobre o blog. Orgulhosamente, posto aqui:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Um site como esse do Lichote me lembra a estratégia de Thomas Mann, que muitas vezes escolhia um filósofo ou personagem histórico para ser o depósito de onde ele tirava todos os pensamentos e idéias de um dos seus personagens. Assim acontece nesse site, onde cada nicho parece organizado com idéias tiradas de uma fonte muito rica.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Esse rigor acaba sendo uma inspiração para mim e talvez para toda a classe artística, porque o cuidado com que o site é tratado me faz lembrar outro episódio da vida artística. Em 1925 T S Elliot escreveu uma série de ensaios sobre poesia e outros ramos da arte. Em certo momento ele diz que qualquer pessoa que queira se chamar artista não poderá estar fora de uma espécie de comunidade irmanada, desenvolvendo coletivamente a espinha dorsal do pensamento criador.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;E é como a gente se sente nessa página da internet: diante de um interlocutor."&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Honra.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;***&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Lembrete: Não dá pra perder o show do homem no Circo Voador neste sábado, lançando no Rio o "Estudando o pagode". &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-111533067410346694?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/111533067410346694/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=111533067410346694' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/111533067410346694'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/111533067410346694'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2005/05/estudando-teresa.html' title='Estudando Teresa'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-111499679595124040</id><published>2005-05-01T22:16:00.000-03:00</published><updated>2005-05-01T22:19:55.953-03:00</updated><title type='text'>The real one</title><content type='html'>Eu e Paula &lt;em&gt;tripulávamos&lt;/em&gt; o táxi, trajeto Jockey-Méier (com escala inútil no Bob's Drive Thru da Tijuca, que já estava fechado). No rádio, rolava um  hip hop/pop muito maroto, com cara de 80 e de alguma forma familiar. Cinco segundos, identifiquei: "Don't forget my number", da farsa Milli Vanilli, a dupla que fingia que cantava. Há muito tempo não ouvia, mais de 10 anos, acho. Lembrei que no início da minha adolescência ouvia a música do meu quarto, vinda das caixas dos bailes do Clube Caeté, que ficava (fica? não sei se fechou) ali nas cercanias de Todos os Santos, tocava também em alguma propaganda de disco da Som Livre (trilha de novela, talvez), estava direto na Transamérica – rádio que ouvia na época, alternando com a Manchete FM (leia Marlboro). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lembrança puxou alguns ganchos para o "Cadê Teresa?", todos girando em torno da noção de autenticidade na cultura pop e o alto valor da imagem nesse universo, muitas vezes maior que o valor da música (o exemplo óbvio é o fracasso do The Real Milli Vanilli, lançado depois do escândalo com os caras que cantavam de verdade).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Renderia assunto? Sei lá. Desisti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvir de novo canções (era um especial do grupo!) do Milli Vanilli num táxi do Jockey para o Méier, minutos depois do show do Dolores, horas antes do show do Placebo: achei que só isso já valia um registro aqui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-111499679595124040?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/111499679595124040/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=111499679595124040' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/111499679595124040'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/111499679595124040'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2005/05/real-one.html' title='The real one'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-111480567842550966</id><published>2005-04-29T16:52:00.000-03:00</published><updated>2005-04-29T17:14:38.426-03:00</updated><title type='text'>Do baile</title><content type='html'>Passei uns bons minutos durante o maravilhoso show do DJ Dolores e Aparelhagem no encerramento do Vivo Open Air, ontem, com uma certeza na cabeça:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que não tinha coisa mais linda que o sotaque nordestino de Isaar (com toda a beleza de seus tês e dês), suas tranças grossas e o movimento negro de seus braços balançando um xequerê (cabaça com contas), tudo a serviço do clássico refrão funk - "É som de preto, de favelado/ Mas quando toca ninguém fica parado".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estava de todo sem razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz uma matéria com Dolores, a quem chamei de "pensador que dança". Tem a ver. &lt;a href="http://www.oglobo.com.br/online/cultura/167818843.asp"&gt;&lt;strong&gt;Lê lá&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-111480567842550966?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/111480567842550966/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=111480567842550966' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/111480567842550966'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/111480567842550966'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2005/04/do-baile.html' title='Do baile'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-111457709558757930</id><published>2005-04-27T01:36:00.000-03:00</published><updated>2005-04-27T01:44:55.590-03:00</updated><title type='text'>Menina que requebra, mãe, pega na cabeça</title><content type='html'>Cheguei recentemente do Abril Pro Rock. Grande festival, que, entre outras qualidades, tem a de ser realizado em Recife – uma cidade que adoro por ser, em muitos aspectos, um outro Rio de Janeiro possível, ao mesmo tempo em que é única.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o assunto aqui é outro – por enquanto nada de bastidores do APR, caro Bruno Natal. Como o blog anda atrasado na atualização (maravilha e condenação deste espaço os prazos não serem nada rígidos, não sou pautado e despautado pela ditadura dos fatos que se sucedem, mas também relaxo demais sem essa pressão), quero falar do PercPan, realizado há quase três semanas no Teatro Carlos Gomes, no Rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O PercPan deste ano foi mais Pan que Perc – fruto do patrocínio da Tim, provavelmente. O que não significa que tenha sido ruim. Gostei bastante da inteligência, do humor e da musicalidade de Adriana Calcanhotto ao lado de Moreno/Domenico/Kassin/Quito; curti a delicadeza envolvente do On Fillmore, mas acredito ter sido minoria (Paula sentiu sono, Jamari falou em bocejos e, em papo rapidíssimo na saída, Hugo Sukman comparou a Enya, com boa dose de maldade); vibrei com a alegria simples e irresistível dos romenos da Fanfare Ciocarlia; e valeu testemunhar no X Plastaz o encontro duro, quase um choque (ao contrário da interação maleável que encontrou no Brasil, em Cuba, ou até mesmo na França), do hip hop com a cultura da Tanzânia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o grande acontecimento – mais pela idéia que pela realização, mas também pela realização – foi o encontro do samba de roda baiano "tradicional"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(motivo das aspas: até que ponto aqueles trajes das baianas não ganharam a carga e o sentido de tradição ao caírem nos meios de comunicação de massa, quase como um marketing, assim como as roupas e o chapéu de couro de Luis Gonzaga nos anos 40?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... com seus netos nascidos na era dos meios de comunicação de massa: ninguém mais ninguém menos que Beto Jamaica, do É o Tchan, e Xandy, do Harmonia do Samba. As ligações, que eu vi serem levantadas pela primeira vez por Paulinho da Viola em entrevista no fim dos anos 90, ficaram claras. As duas pontas se tocaram, de forma óbvia – e genial, como costumas ser tudo que é óbvio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A platéia, é claro, ficou dividida. Para muitos, os nobres velhinhos não deveriam se misturar com os garotos que fazem música para diversão fácil. Não vêem que a alegria está na raiz da música produzida por ambas as pontas. E na raiz da música popular "profunda", enfim. O samba de roda não surge numa atmosfera de transcendência pura ou de pureza transcendente. A sacanagem – nos dois sentidos, de sexo e da brincadeira maliciosa, para derrubar o otário – está ali. A transcendência existe sim, mas (perdão pela rima boba, que não estou com paciência e inteligência para evitar) como conseqüência da festa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi bom confirmar, naquela noite, que o refrão de "Segura o tchan" nasceu dos tambores do Recôncavo, cresceu no Pelourinho, amadureceu na nova tradição do carnaval elétrico baiano para, no fim, traduzir para outra época a velha malícia, a velha alegria de um verso que fala em "menina namoradeira" num samba de roda ancestral.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-111457709558757930?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/111457709558757930/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=111457709558757930' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/111457709558757930'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/111457709558757930'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2005/04/menina-que-requebra-me-pega-na-cabea.html' title='Menina que requebra, mãe, pega na cabeça'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-111275702884327052</id><published>2005-04-06T00:07:00.000-03:00</published><updated>2005-04-06T00:10:28.843-03:00</updated><title type='text'>Li enquanto esperava conexão discada</title><content type='html'>"... música eletrônica das dissonâncias de angústias existenciais européias e anglo-saxãs."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um trecho do texto de Jorge Mautner no encarte do CD "Aboiando a vaca mecânica", de Lula Queiroga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Angústias existenciais européias" é bom para pensar música eletrônica. Baixei para o iPod de idéias alheias que roda na minha cabeça.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-111275702884327052?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/111275702884327052/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=111275702884327052' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/111275702884327052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/111275702884327052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2005/04/li-enquanto-esperava-conexo-discada.html' title='Li enquanto esperava conexão discada'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-111233357873449490</id><published>2005-04-01T02:27:00.000-03:00</published><updated>2005-04-01T12:59:58.620-03:00</updated><title type='text'>Parreira mandou um beijo</title><content type='html'>Vi Brasil X Uruguai no telão do Teatro Odisséia, onde estava para o show de lançamento dos CDs do &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.luisamandouumbeijo.com"&gt;Luisa Mandou Um Beijo&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; e do Wado. Iria saber no dia seguinte que a imprensa esportiva viu diferente ("empate convincente" ?!?!?!?!?), mas para mim, naquele momento, o jogo lançou no ar um clima empate-com-gol-do-Emerson-impedido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabou o jogo, começou o show. Parreira deve ter algo a ver com minha recepção do Luisa. Eu não queria a provocação das melodias que causam estranhamento, as mudanças de compassos, as dissonâncias que incomodam e te acordam - "ei, mermão, você pensa que sabe o que está acontecendo aqui, mas não sabe!". Naquela hora, eu queria o pop. O melhor da banda para mim estava nas canções mais rápidas, de melodia mais fácil, recado mais direto. Sacudir o corpo e só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que acho fascinante no Luisa é que ele tem os dois - o desconforto e o conforto. Muitas vezes juntos. Insisto em chamar a atenção para os versos que já tinha destacado em &lt;a href="http://oglobo.globo.com/especiais/riofanzine/163767903.asp"&gt;&lt;strong&gt;crítica&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; que fiz pro Rio Fanzine: "Quem é você que faz o céu queimar assim perto de mim?/ Com um pote de geléia de morango nas mãos/ Comendo com colher de sopa". Essa letra resume a idéia central da banda: o segredo está em saber olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ponho sem medo a banda no grupo dos grandes da novíssima geração do rock carioca, ao lado de Canastra e &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.mim.com.br"&gt;mim&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; (projeto da Mariana Eva) - disco em breve, já ouvi, tá maravilhoso, como é bom quando há inteligência e tesão juntos. Vale lembrar: Vulgue Tostoi ainda existe? Tanta desimportância na ordem do dia e não se baixa uma MP para obrigá-los a gravar a parceria genial com Macalé... Quero ouvir Netunos também - Carlão me contou na fila do Humaitá Pra Peixe que eles estavam preparando (já acabaram?) o CD, com produção de Junior Tostoi (o mesmo de mim e do Vulgue).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando está cada vez mais à vontade com as palavras e mais seguro do que quer com elas. A letra em português que ele fez para a versão do Luisa de uma música da Pelvs é simplesmente perfeita: "Bem me quer/ Mal me fez", aquela parte de untar a forma com limão e açafrão... Posta a letra aí nos comentários, Fernando!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flávia também compõe para o Luisa com inteligência singela e provocadora. Além disso, ela canta e tem um belo sorriso, que, no palco, é tão adequado ao Luisa quanto raro. Vi só uma vez no show.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sensibilidade sobre o cotidiano da poesia de Fernando encontra a perfeita tradução na arte de Pedro Sánchez. O cara expôs cinco gravuras lá no Odisséia. A que tá na capa do CD do Luisa é um primor, com suas janelas e formigas. Batemos um papo rápido sobre as obras, Pedro sabe o que está fazendo quando registra cenas como a do pão espetado no garfo levando um calor na boca do fogão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre Wado.... Ele tem alguns sambas espertos, mas ao vivo - vi no Tim Festival 2002 e agora - não me pega. Tenho curiosidade de ouvir o disco novo, as pessoas têm falado bem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-111233357873449490?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/111233357873449490/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=111233357873449490' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/111233357873449490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/111233357873449490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2005/04/parreira-mandou-um-beijo.html' title='Parreira mandou um beijo'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-111180687272858744</id><published>2005-03-26T00:07:00.000-03:00</published><updated>2005-03-26T00:27:02.216-03:00</updated><title type='text'>Philosophorum de Jorge</title><content type='html'>Coletiva de Jorge Ben Jor, ano passado, &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.oglobo.com.br/online/cultura/145201858.asp"&gt;lançamento de "Reactivus amor est (Turba philosophorum)"&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; - disco bacana, que mostra que o o cara está vivo muito vivo, com lampejos de genialidade em letra e música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fim da coletiva, a repórter de uma revista de celebridades que chegou pautada para fazer sua pergunta ao mestre, solta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Caetano Veloso disse há poucos dias que se pudesse falar algo pro Bush não teria o que falar, pois qualquer coisa que dissesse ele não entenderia. E você, o que diria ao Bush se estivesse em frente a ele?". Era o período pré-eleição, imprensa caindo de pau no presidente americano e Michael Moore deitando e rolando com "Fahrenheit 9/11".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Sem ironia: gosto dessas perguntas, me tiram completamente do excitado transe no qual estou metido ali, cheio de idéias sobre o disco, o texto que terei que escrever, ligado em detalhes do comportamento do entrevistado. Essas perguntas meio que te acordam. Ser surpreendido é - quase - sempre bom demais. E, é claro, pela bizarrice, esse tipo de coisa não deixa de ser engraçado.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ben Jor fica em silêncio poucos segundos e responde, sério:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu diria: 'Não se esqueça que você é um Jorge'"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pausa. A repórter mantém, residualmente, o sorriso simpático do fim da pergunta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"E um Jorge não pode deixar a bandeira cair", conclui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Então você diria isso, né... Só?" - pergunta a repórter, ainda com o sorriso lá. Certamente não era aquilo que ela esperava ouvir. Nem eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se entendi. Mas achei aquilo, naquele momento, tão Ben Jor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-111180687272858744?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/111180687272858744/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=111180687272858744' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/111180687272858744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/111180687272858744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2005/03/philosophorum-de-jorge.html' title='Philosophorum de Jorge'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-111033488405919845</id><published>2005-03-08T23:04:00.000-03:00</published><updated>2005-03-09T15:12:30.573-03:00</updated><title type='text'>Rubras e febris</title><content type='html'>Não tem nada a ver com a inteligência emocional, conceito com cara de reunião-de-RH que esteve em alta há uns dois ou três anos. Gosto de chamar de "inteligência corporal" ou "inteligência física", em oposição à inteligência abstrata dos chamados intelectuais. Uso para pensar em atletas e modelos, por exemplo. Gente que sabe usar o corpo. Pode ser uma habilidade objetiva - a de um bom cobrador de faltas é um exemplo - ou subjetivas - a "inteligência sexual", uma divisão especialíssima da "inteligência corporal". Nada de pejorativo - ser sensual ou saber bater bem uma falta é uma sabedoria. Penso que circula muito mais energia criadora em Luma de Oliveira e Ronaldinho Gaúcho que em boa parte dos Ph.D. que circulam por aí - a parte da Luma não é provocação, amiga Dani Martins (você me lê?), e nem tem nada a ver com o Dia Internacional da Mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas onde está a música, o assunto que é sempre o alvo deste blog, nem que seja de forma enviesada? Três letras: Gal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jards Macalé disse certa vez que ela era "burrinha". Já ouvi a acusação repetida em rodas de papo de diversas formas. Mas se Gal sabe ou não articular pensamentos sobre o que canta, se encaminha sua carreira da forma mais "inteligente", nada disso me interessa neste texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero escrever sobre ela cantando "A história de Lily Braun" (Edu Lobo/ Chico Buarque) no CD "O Grande Circo Místico", recém-lançado pela Dubas e que desde então não pára de rodar dentro da minha cabeça. Vê a letra:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Como num romance &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O homem de meus sonhos&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Me apareceu no dancing&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Era mais um&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Só que num relance&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Os seus olhos me chuparam&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Feito um zoom&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ele me comia&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Com aqueles olhos&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;De comer fotografia&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu disse cheese&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E de close em close&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Fui perdendo a pose&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E até sorri, feliz&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Como no cinema&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Me mandava às vezes&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Uma rosa e um poema&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Foco de luz&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu, feito uma gema&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Me desmilinguando toda&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ao som do blues&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Abusou do scotch&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Disse que meu corpo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Era só dele aquela noite&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu disse please&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Xale no decote&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Disparei com as faces&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Rubras e febris&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E voltou&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;No derradeiro show&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Com dez poemas e um buquê&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu disse adeus&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Já vou com os meus&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Numa turnê&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Como amar esposa&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Disse ele que agora&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Só me amava como esposa&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não como star&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Me amassou as rosas&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Me queimou as fotos&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Me beijou no altar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nunca mais romance&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nunca mais cinema&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nunca mais drinque no dancing&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nunca mais cheese&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nunca uma espelunca&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Uma rosa nunca&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nunca mais feliz&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ela canta "Os seus olhos me chuparam feito um zoom" ou "Eu disse cheese", intui-se o exato calor, o exato sorriso, o exato olhar, a exata respiração, as cores exatas daquele momento. Claro que ajuda a fila de semicolcheias que saem do trompete na introdução, concluindo numa longa nota cortada por um último sopro curto. Claro que (só) ajudam as palavras de Chico. Mas "A história de Lily Braun" é de Gal. O alto teor de sensualidade da música - que faz, em última análise, pulsar sua vida - é sugado até a última gota, inteligentemente, por ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais sobre "O Grande Circo Místico" no &lt;a href="http://www.oglobo.com.br/online/cultura/167155806.asp"&gt;&lt;strong&gt;Globo Online&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-111033488405919845?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/111033488405919845/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=111033488405919845' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/111033488405919845'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/111033488405919845'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2005/03/rubras-e-febris.html' title='Rubras e febris'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-110964038004633648</id><published>2005-02-28T22:14:00.000-03:00</published><updated>2005-02-28T22:32:00.986-03:00</updated><title type='text'>Pandeiro tem que pandeirar, viola tem que violar</title><content type='html'>Jogo dos cinco erros com o quadro renascentista. Anjos são negros, imensos, têm tranças grossas no cabelo crespo e cantam afro-sambas de Baden e Vinicius, para almas que circulam durante o dia no Largo da Carioca - de terno impecável ou de mocassim de cadarço gasto, que deixou o Mercedes estacionado no Jockey Club da Nilo Peçanha ou que desceu do 342 (Castelo-Jardim América) na mesma Nilo Peçanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendi isso na última quarta-feira, no Teatro Rival Petrobras - se é assim que eles querem ser chamados, quem sou eu para deter o caminhar de passos firmes da humanidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era o show da Virginia Rodrigues, que cantava seus "Mares profundos". Depois de encarar a mundanidade profana da Rua de Sant'Anna - penso agora o quanto é curioso a Igreja da santa (de um cinza que parece absorver todos os tipos de sujeira da rua que leva seu nome) ser quase em frente ao Pontinho, bar onde vi o travesti de rosto marcado de queimadura se olhando no espelho - , a mundanidade profana do ônibus pela Presidente Vargas-Rio Branco, da Cinelândia e da mais que mundana, infernal lerdeza dos garçons do Café Odeon (pedido simples: croissant pra Paula, pastel pra mim e brownies para os dois), depois de encarar toda essa barra, cheguei a um ambiente santo. A platéia, ciente do momento, acompanhava solene.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mentira: tinha conversa, batuque na mesa, copo quebrando, "vou ao banheiro", shhh, celular, garçonetes passando entre as cadeiras segurando estranhamente as lanternas entre o queixo e o ombro, iluminando muito mais que o necessário. Mas gosto de acreditar na solenidade esperada para quem ouve o canto de um anjo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que um anjo é aplaudido no fim? Ali foi. Povo gosta de vozeirão - calouros de Silvio Santos e de Raul Gil confirmam. Por essa e outras, o aplauso é com vontade e gosto cada vez mais do Rival.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A metáfora religiosa não é só tentativa de algo próximo de poesia. Virginia foi criada em coro de igreja protestante, cresceu nos terreiros. Aprendeu a cantar para Deus, e é para ele que canta o amor mundano e divino das canções de Vinicius, o amor trágico dos afro-sambas, que faz morrer, que faz sofrer, que faz desejar viver em outro mundo. E cantando para Deus, canta para a platéia, refletida em Sua imagem e semelhança - e isso não é um argumento religioso, pois se Um criou o outro ou o outro criou Um, a ordem dos fatores não faz diferença nesse caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os andamentos lentíssimos, a voz limpa, a melodia no primeiro plano e as palavras de Vinicius (enfim, as instâncias divinas, racionais) se afirmam o tempo todo sobre o ritmo de Baden (mundano, selvagem).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Negra, gorda: a força de sua imagem inspira, se não santidade, algo de maternal/matriarcal. Impossível não pensar em Dona Ivone Lara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- 120 quilos de leveza – definiu-se Virginia, brincando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levei a sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na semana passada, Vinicius também esteve presente no show de Bethânia. Fiz uma &lt;strong&gt;&lt;a href="http://oglobo.globo.com/online/cultura/166902468.asp"&gt;crítica&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; no Globo Online, com alguns &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.oglobo.com.br/especiais/maria_bethania/"&gt;vídeos&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; da noite de estréia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-110964038004633648?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/110964038004633648/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=110964038004633648' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110964038004633648'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110964038004633648'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2005/02/pandeiro-tem-que-pandeirar-viola-tem.html' title='Pandeiro tem que pandeirar, viola tem que violar'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-110900021265715271</id><published>2005-02-21T12:32:00.000-03:00</published><updated>2005-02-21T12:36:52.660-03:00</updated><title type='text'>A que volteia, a que passeia</title><content type='html'>Acompanhar a letra de "I will confess", do Belle &amp; Sebastian; cantarolar o tchu-tchu-tchu do coro de "Me dá um beijo", de Alceu e Geraldo; ouvir "One", do U2, ao violão (há quanto tempo...); se enrolar com as pausas de "Socorro", de Arnaldo Antunes; fazer com a boca a passagem do violão em "Covered saints", do Carlinhos Brown, ou em "Do you want to know a secret", dos Beatles; prolongar o "Eu uso óculos escuuuroooooooo", de "Vampiro", gravação do Caetano; cantar "Cajuína", do mesmo "Cinema transcendental"; ou ainda ficar pensativa com "Oração ao tempo" (deve ser seu disco favorito do Caetano); andar feliz pela casa ao som de "I don't know what to do with myself", gravação White Stripes; imitar o "mim" baiano que Lanlan faz no fim do primeiro verso de "100 Xurumela"; pôr o disco da Pelvs, um tanto para me provocar; dançar "Sebastiana", do Jackson; arrumar a casa ao som de "Cut your hair", do Pavement; cantar músicas do segundo escalão da Jovem Guarda que eu nem desconfiava existir; lembrar a trilha de "Bat Masterson"; tentar aprender "Joana francesa"; comentar o quanto gosta de "Sentimental", do Los Hermanos, sempre que ouve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns prazeres musicais da Paula, que eu adoro notar e saber. Hoje ela faz 26 anos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-110900021265715271?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/110900021265715271/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=110900021265715271' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110900021265715271'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110900021265715271'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2005/02/que-volteia-que-passeia.html' title='A que volteia, a que passeia'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-110874290821671534</id><published>2005-02-18T14:03:00.000-02:00</published><updated>2005-02-18T16:23:38.060-02:00</updated><title type='text'>Graforréia La Tequila, em parte</title><content type='html'>Vai demorar a chegar nas lojas (só no segundo semestre de 2005) e não sei muito bem se chegará em todas as ditas melhores do ramo. De qualquer forma, vale muito a pena ficar atento a qualquer notícia do disco que Kassin e Carlos Pianta vão gravar pela Ping Pong. Ontem, eu e mais umas 50, 60 pessoas vimos na Casa da Gávea a primeira apresentação pública da dupla. Incrivelmente estranho, estranhamente incrível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem não ligou os nomes às pessoas: Kassin é Acabou La Tequila, Moreno+2, Domenico+2 e, óbvio, Kassin+2; Pianta é Graforréia Xilarmônica. Tequila e Graforréia foram duas das bandas mais ousadas dos anos 90, que anteciparam boa parte das coisas mais interessantes que rolam no rock brasileiro hoje. Registro: estavam lá Rodrigo Barba e Bruno Medina (Los Hermanos), Nervoso, Jorge Mautner e Nelson Jacobina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentado, encostado na parede, antes do show começar, eu sacava o palco. Duas cadeiras, duas guitarras (uma terceira no fundo, de stand-by), dois amplificadores, alguns trecos sobre eles, pedais no chão, dois pedestais com microfones, cabos ligando tudo. E só. Simples assim, dali podia sair qualquer coisa, muito boa ou muito ruim. Apostava na primeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começou. Microfonia braba, sons aparentemente aleatórios, sem uma mísera marcação de compasso onde eu pudesse me segurar. Incômodo é a palavra, um incômodo quase físico. Ou físico mesmo, segundo a Paula - ela disse mais tarde que os agudos doíam no pescoço e os graves na barriga. Não senti dores, mas definitivamente não foi prazeroso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma menina se levantou e saiu. Na seqüência, outros seguiram o exemplo. Eu, em silêncio: "Putamerda... O que é que eu, morador do Méier, sem carro, tô fazendo aqui no Baixo Gávea, às 22h de uma quinta, vendo dois caras produzindo ruídos em guitarras de afinação bizarra?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engano, engano, engano. Vistos em retrospecto e integrados ao resto do show, os dez minutos iniciais foram perfeitos. Ali a dupla esticou ao máximo a corda, numa tática de choque. Depois do começo radical, a platéia que ficou estava preparada para assimilar melhor - como se fosse o pop mais fácil - o experimentalismo menos agressivo (mas nem um pouco inócuo) que viria em seguida. De forma sempre surpreendente, eles combinaram clichês de metal, timbres de Atari, bossa nova, Odair José, Leno &amp; Lílian, rock progressivo, "Born to be blue", Arrigo Barnabé, milonga ("música de viado", definiu Kassin, provocando o gaúcho Pianta), jazz no sentido mais amplo do termo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas né esse papo de misturinha encontrado na seção "influências" de qualquer release de qualquer artista brasileiro pós-qualquer coisa. O que é preciso saber, a idéia central, é que Kassin e Pianta criam sua música com a consciência plena e sincera de que tudo já foi criado. Pode parecer simples, mas não é. Com essa consciência, se livram da vaidade e da pretensão e ganham leveza, se permitem o humor, que permeia tudo em timbres inusitados ou combinações rítmicas divertidas, nas (poucas) letras e na postura de palco desencanada. E assim, como quem não quer nada, chegam ao novo, ao profundamente novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mautner (depois do show conversamos brevemente) interpreta mais ou menos assim também. Suas palavras:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- São fragmentos de tudo. É o som da estranheza, apresentado com toda a pujança e se tornando, assim, compartilhado. Harmonias ocultas, humor refinado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moral (?) da história: enquanto os cães (mainstream e independentes) ladram uns para os outros latidos de dez anos atrás, a caravana continua passando, sem dar pinta de que vai parar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: Fiz uma &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.oglobo.globo.com/online/cultura/166782979.asp"&gt;matéria pro Globo Online&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; aproveitando parte deste texto, reformulando algumas idéias e acrescentando outras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-110874290821671534?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/110874290821671534/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=110874290821671534' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110874290821671534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110874290821671534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2005/02/graforria-la-tequila-em-parte.html' title='Graforréia La Tequila, em parte'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-110867252753718756</id><published>2005-02-17T18:17:00.000-02:00</published><updated>2005-02-18T16:24:18.096-02:00</updated><title type='text'>Ritmos bárbaros, reservas de pranto, amores. E elegância</title><content type='html'>Foi a dupla Cauby &amp; Angela quem me chamou a atenção. Com a elegância de costume...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pausa para um parêntese gigante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elegância Cauby &amp;amp; Ângela tem nada a ver com livro de etiqueta, manuais tipo "Chic", listinhas de in-out de revista feminina. Mas o que é? Quando tento conceituar, penso logo no verso "if you have to ask, you'll never know" que ouvi na canção do Chili Peppers, em melodia dobrando com o baixo sacana do Flea, um baixo que é uma espécie de reafirmação da malandragem funky da letra, porque não adianta perguntar como é, só ouvindo para entender. Pois desde o dia em que, moleque, li na "Bizz Letras Traduzidas" o significado daquelas palavras, elas me vêm à mente sempre que me bato com essas coisas que a gente sente mas não entende ou quase entende, porque fica faltando uma pecinha pra fechar tudo, e a gente percebe que o segredo está na tal pecinha. E a grande manha, então, é sacar o formato da pecinha olhando para o vazio que ela deixa. Mas então o verso do RHCP me vem como um toque duplo: 1) quando não entender, melhor tentar cercar o mistério que perguntar; 2) ter humildade para sacar que nem tudo tem explicação (pelo menos para você). Como sempre, malandro-otário, contrario minhas próprias normas do bom senso e tento transformar em palavras o que não tem sentido nem nunca terá será que será. Insisto em conceituar a elegância de Cauby e Ângela, por exemplo. Diria que mesmo mergulhados no exagero barroco-kitsch de batom-peruca-lantejoula-laquê-vozeirão, ele e ela respiram e se movem como se minimalistas fossem. Mas com a consciência de que não o são. Não se trata de discrição, porque eles se afirmam gritantemente onde quer que estejam. É uma elegância que qualquer pessoa entende, das macacas-de-auditório ao consultor de estilo. É nata (a ambigüidade é proposital). É suburbana, porque intuitiva, e Zona Sul, porque consciente de seu estilo. É... desisto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fecha parêntese&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois foi a dupla que, com a elegância de costume, me chamou a atenção, cantando juntos "Canta Brasil". Os versos iniciais:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;As selvas te deram nas noites seus ritmos bárbaros&lt;br /&gt;Os negros trouxeram de longe reservas de pranto&lt;br /&gt;Os brancos falaram de amores em suas canções&lt;br /&gt;E dessa mistura de vozes nasceu o teu canto&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa história de branco, negro e índio fazendo a mistura que gerou nosso canto não dá mais conta de explicar a formação de nossa música. E não dava já no século 20, quando essa canção foi composta. A mulatada, a mestiçada dos Estados Unidos, da Europa, da África e do Caribe já tinham jogado o Brasil para outro estágio. E esses mais os australianos, russos, asiáticos, latinos em geral continuam jogando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok, "Canta Brasil" é só uma música - bem bonita, aliás, se ignorado o leve ridículo de seu nacionalismo épico. Mas mesmo sendo só uma música, reflete um pensamento que amarra demais - e há muito tempo - a compreensão da boa e velha identidade (musical) nacional. Tem sua validade como "mito fundador"? Sei não... Rende boa poesia, essa saudade européia e africana encontrando os "ritmos bárbaros" dos índios, mas mesmo o samba - que há uns 70 anos é o grande ícone da nossa nacionalidade, acredito que longe de perder o posto - surgiu de batuques "impuros" de negros com ritmos "impuros" de europeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única coisa que sei é que, pelo que contam os livros, o encontro de negros, índios e brancos gerou cafuzos, mamelucos e mulatos. E mesmo assim, apenas num primeiro e fugaz momento - difícil demais encontrar hoje em dia as três mestiçagens intocadas. E, transas inter-raciais à parte, o buraco da música brasileira é bem mais embaixo. Está mais do que na hora de descobrirmos (criarmos?) outros mitos que nos expliquem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveitando o bonde do post (que há muito não passava por estas bandas), uma última observação. Ouvi uma gravação de "Canta Brasil" com Luciana Mello, sobre a batucada do Hapax. Já tinha prestado atenção nela outras vezes, mas nunca tinha notado como ela canta. Maturidade interpretativa e grande voz usada na medida certa, sem afetações que costumam afligir a turma que vem do soul... E, no palco, elegância de diva. Ela está muito bem também na trilha esperta do igualmente esperto "Meu tio matou um cara", numa em que sobrepõe duas vozes, um registro grave e outro agudo, de forma impressionante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gravação dela para "Canta Brasil" está no CD da trilha de "A dona da história". Aviso: vale a pena comprar não, é fraquinha, fraquinha... Tem Rodrigo Santoro cantando "Guantanamera" (é exatamente o que se imagina) e Sandy em "Chovendo na roseira", me convencendo cada vez mais que ela sempre será uma grande cantora pré-adolescente. Falta, entre outras coisas, elegância.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-110867252753718756?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/110867252753718756/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=110867252753718756' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110867252753718756'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110867252753718756'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2005/02/ritmos-brbaros-reservas-de-pranto.html' title='Ritmos bárbaros, reservas de pranto, amores. E elegância'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-110694737905106581</id><published>2005-01-28T19:21:00.000-02:00</published><updated>2005-01-28T19:30:28.183-02:00</updated><title type='text'>Nota do dia</title><content type='html'>Aquela que cai exatamente sobre o "eu" no verso "O poeta era eu", de "Mascarada" (Elton Medeiros/ Zé Ketti), gravação do Conjunto A Voz do Morro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem desmerecê-las, todas as notas que vêm antes e todas que vêm depois naquela maravilhosa melodia parecem estar ali em função dela. Saca só. A tensão vai até ali, num sobe e desce que se resolve exatamente no "eu" (é ou não de chorar?). Depois, se suntenta ali no alto por mais uns dois versos e depois vai direto para o fim, que é o começo da repetição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Este textinho foi pensado, do título ao ponto final, enquanto eu atravessava a passarela do Méier, do ladilá pro ladicá, indo pra casa, cantarolando "Mascarada" sei lá por quê. Mas precisa motivo?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse disco do Conjunto A Voz do Morro é do outro mundo. Não só por reunir um escrete (poucas vezes vi a palavra, de sonoridade nostálgica e nobre, tão bem empregada) com Zé Kéti, Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Nelson Sargento, Anescarzinho, Jair Costa, José da Cruz e Oscar Bigode, mas sobretudo pela batucada nervosa totalmente diferente de todas as gravações que ouvi de antes ou de depois. Não sei ao certo se é questão de timbre na captação no estúdio, formação instrumental ou pegada mesmo. Só ouvindo para entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propósito, Fernandão, esqueci de você não. Vou gravar os dois Voz do Morro que tenho e vou entregá-los junto com seu CD do Canastra. Sem pressa, afinal você ainda nem ouviu o Romulo Fróes que deixei contigo, né não? :-)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-110694737905106581?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/110694737905106581/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=110694737905106581' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110694737905106581'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110694737905106581'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2005/01/nota-do-dia.html' title='Nota do dia'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-110662747197197696</id><published>2005-01-25T02:21:00.000-02:00</published><updated>2005-01-26T01:52:22.436-02:00</updated><title type='text'>Pé</title><content type='html'>Na quarta-feira, entrevistei Mart'nália rapidamente para &lt;strong&gt;&lt;a href="http://oglobo.globo.com/online/cultura/163939880.asp"&gt;uma matéria&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; sobre a pesquisa do Globo Online que apontou o Rio como capital cultural do país. Por essas e outras, na tarde de quinta, em casa (horário de plantão, começava a trabalhar às 18h), pus para ouvir o CD "Pé do meu samba", que ela lançou em 2002. Não ouvia há muito tempo. Já gostava bastante, mas longe do frisson da novidade da época, pude sacar o disco com outros olhos e fiquei impressionado: ele amadureceu bem na prateleira (ou na pilha, sendo fiel à realidade da organização lá de casa).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o pequeno distanciamento histórico, dá para se arriscar algumas conclusões mais ou menos seguras sobre o disco. "Pé do meu samba" tem cara de histórico, apesar de não ser e nem se pretender revolucionário. É reflexo de um jeito de encarar o samba que localizo ali no início dos 2000, numa maré que trouxe, pouco antes e pouco depois, "Slow motion bossa nova" (de Celso Fonseca e Ronaldo Bastos) e "Acústico MTV" (de Zeca Pagodinho e, claro, Rildo Hora). Celso é chapa de Mart'nália, produziu o disco dela. Zeca eu não sei, mas acredito que é quase impossível que não seja também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Pé do meu samba" é ousado na sua forma. Mas, em sua ousadia, é mais insinuante que agressivo, seguindo a escola de Paulinho da Viola - ícone máximo da capacidade de promover inovações profundas mantendo a placidez na superfície. Mart'nália também sabe, durante o nevoeiro, levar o barco devagar. E para quê a pressa? A ousadia do CD nada tem a ver com timbres inusitados ou uma rítmica que choca. Sustenta-se simplesmente sobre o canto de Mart'nália e a maneira como a percussão que a acompanha. Nos dois casos, reflete uma vivência ampla - um &lt;strong&gt;&lt;a href="http://oglobo.globo.com/online/cultura/164011459.asp"&gt;perfil que fiz pro Segundo Caderno em 2002&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; dá uma idéia do que quero dizer com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(agora é madrugada de segunda pra terça eu aqui no jornal desde às 10h da manhã com sono as idéias perdendo a nitidez releio e acho uma merda já não sei direito onde quero chegar tenho vontade de dizer foi mal e aconselhar quem chegou até aqui a voltar outro dia talvez encontre um post mais inspirado desisto da conexão cartesiana de argumentos continuo aos cacos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que lembrei de Mart'nália também quando li o &lt;a href="http://nominimo.ibest.com.br/notitia/servlet/newstorm.notitia.presentation.NavigationServlet?publicationCode=1&amp;pageCode=9&amp;amp;textCode=15157&amp;date=currentDate&amp;amp;contentType=html"&gt;&lt;strong&gt;artigo de&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Paulo Roberto Pires&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; no Nomínimo sobre o DVD que ela está lançando. Não recebi da gravadora e nem vi ainda. Assisti ao show de gravação, no Olimpo, e gostei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na curta entrevista para mim ela disse que o Rio é sim a capital cultural do país. E fez questão de deixar claro que não é pelo que foi, e sim pelo que é. "Tem que ir aos lugares, ver o que está acontecendo", disse. Mas o tom não era de conclamação - o que faz toda a diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas havia provocação. Como havia &lt;strong&gt;&lt;a href="http://oglobo.globo.com/online/cultura/164011460.asp"&gt;quando ela disse ao Janjão&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; que não entende a turma jovem da Lapa que depois de bossa nova, Cacique de Ramos e Zeca Pagodinho, começa a tocar coisas do arco da velha que ela não tem muito saco para ouvir. Uma provocação sincera e irresponsável, de quem não quer nem saber se teve repercussão no dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Djavan disse certa vez que ela é a maior cantora surgida no Brasil nos últimos anos. Ou algo parecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(lembrei aonde queria chegar)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Referência, influências musicais, estilos, nada disso faz sentido para pensar em seu canto. Mart'nália canta como quem vive. E quem vive, simplesmente, sem se preocupar com nada além do fluir do corpo, da mente e da alma no meio do mundo de discos, livros, risos, bailes, papos, sacanagens e outros prazeres. E dores, não esquecer nunca a propriedade com que ela canta "De amor e paz" e "Molambo" - com tristeza, sim, mas nunca com lamento derrotado. Em "Filosofia", por exemplo, a chave está mais no "Pouco me importa" que em "O mundo me condena". É lição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Depois prometo meter uns links aí nesses negritos. Agora desligo, vou para casa. Boa noite)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;24 horas depois da postagem, links valendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-110662747197197696?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/110662747197197696/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=110662747197197696' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110662747197197696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110662747197197696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2005/01/p.html' title='Pé'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-110608176570688364</id><published>2005-01-18T18:48:00.000-02:00</published><updated>2005-01-18T18:56:05.706-02:00</updated><title type='text'>Contra a favor, a favor contra</title><content type='html'>Já comentei de passagem aqui no Cadê Teresa? o "Torquatália {Geléia Geral}" - reunião de textos que Torquato Neto escreveu para suas colunas na imprensa entre 1967 e 1972, quando morreu. Apesar de ainda não ter terminado de ler, volto a falar do livro - com organização e esclarecedor texto introdutório de Paulo Roberto Pires.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira sensação causada pela leitura foi a de euforia. É inspiradora a capacidade de Torquato Neto se lançar num debate apaixonado sobre a cultura nacional, como quem se lança numa guerrilha. Postura mais que necessária no atual cenário brasileiro, um período extremamente fértil mas no qual muita coisa está fora da ordem na articulação entre crítica, artista, público e (por que não?) mercado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vê só um trecho da introdução de Paulo Pires que tem a ver com o que estou escrevendo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Do ponto de vista estritamente político, Torquato encarna a veemente recusa da espera, do tempo de suspensão próprio das utopias. "O pior de tudo é esperar apenas", escreve ele, que prefere propor o possível, o que imediatamente está ao alcance da mão. "E agora? Eu não conheço uma resposta melhor do que esta: vamos continuar. E a primeira providência continua sendo a mesma de sempre: conquistar espaço, tomar espaço. Ocupar espaço", ensina Torquato, obsessivo com a idéia de intervenção contínua, que transforma o lugar projetado da utopia na ocupação do presente, no não-lugar, na atopia."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;O recado de Torquato é pertinente demais para este início de século 21.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Mas a euforia aos poucos foi se transformando em decepção conforme ia virando as páginas. Em cada uma, Torquato reforçava posições maniqueístas sobre "imperialismo cultural", "autenticidade" e "bom gosto" que iam minando meu entusiasmo. Até que li algo que é tão radicalmente, tão agressivamente oposto ao que penso, e representativo de um pensamento tão nocivo, que tive vontade de poder estar ouvindo aquilo de Torquato numa mesa de bar, para poder me levantar da mesa e falar "tu é um imbecil, escroto, filha da puta!". Lê o trecho:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"... que discos merecem e carecem de um texto na contracapa? Eu me referi ontem ao disco de Roberto Carlos (CBS), que tem excelente capa. E contracapa. Pois, o que interessa ao público consumidor de discos de Roberto Carlos? Textos informativos sobre a gravação, a escolha da música, o pessoal? Ou uma bela fotografia do moço? A CBS entendeu corretamente o problema e colocou na contracapa outra foto do chamado 'rei'. O resultado: excelente. Um disco dos Brazilian Bitles, de Renato e seus Blue Caps, de Ronnie Von, de Vanderléia (ufa!) precisa de textos na contracapa? para quem ler? Se o público dessa gente às vezes nem sabe ler... E, quando acerta, não se interessa, prefere outra foto de seus 'ídolos'?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Por outro lado, um disco de Nara Leão, de Maria Bethânia, do Tamba Trio, de Chico Buarque de Holanda, de Gilberto Gil precisa de um texto. E precisa porque o público dessa gente é outro e - perdão - muito melhor, muito mais 'alfabetizado', interessado em detalhes que passam despercebidos ao pessoal do iê-iê-iê."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Vejo a idéia da existência de um público mais qualificado como fascismo. E a maneira arrogante como Torquato escreveu me foi especialmente agressiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas havia um problema, pior do que não estar numa mesa de bar com Torquato para poder gritar com ele: ter a consciência de que ele não era um imbecil, um escroto, um filha da puta. E por isso parei de ler por um instante. Pelo exposição violenta aos maniqueísmos dele, fiquei cara a cara com meus próprios maniqueísmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que de primeira foi legal não. Perdi algumas certezas. Não que tenha concordado com o texto. Ou discordado. É mais. Tive que aprender a entender porque aquele cara - o compositor da genial "Geléia geral", o sujeito de olhar duro e sedutor da capa de "Tropicália", o herói pop suicida - estava escrevendo aquelas coisas, tão adequadas ao discurso do "velhote inimigo que morreu ontem". Se aprendi? Não sei ainda direito o que, mas aprendi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grande livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-110608176570688364?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/110608176570688364/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=110608176570688364' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110608176570688364'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110608176570688364'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2005/01/contra-favor-favor-contra.html' title='Contra a favor, a favor contra'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-110598890314750327</id><published>2005-01-17T17:05:00.000-02:00</published><updated>2005-01-17T17:08:53.156-02:00</updated><title type='text'>Rap na encruzilhada</title><content type='html'>Na última quarta-feira, escrevi uma &lt;strong&gt;&lt;a href="http://oglobo.globo.com/online/cultura/163746845.asp"&gt;matéria sobre a apresentação de DZ Cuts no Humaitá Pra Peixe&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;. O texto foi feito meio apressado - um tanto pela velocidade exigida normalmente na nossa produção online, um tanto pelas circunstâncias do dia. Mas ali, sem elaborar muito, levantei uma bola que considero pertinente. Taí o trecho:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Se da pista os graves eram envolventes e hipnóticos, quem assistia ao show da arquibancada, com distanciamento do caldeirão, tinha condição de ver outros aspectos. Entre eles, a encruzilhada na qual chegou o hip hop. É algo mais ou menos assim: ao mesmo tempo em que se confirma como uma das culturas urbanas mais ricas surgidas no século 20, torna-se 'música de playboy' e, em certos momentos, parece se acomodar com isso."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-110598890314750327?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/110598890314750327/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=110598890314750327' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110598890314750327'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110598890314750327'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2005/01/rap-na-encruzilhada.html' title='Rap na encruzilhada'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-110592007342856677</id><published>2005-01-16T21:56:00.000-02:00</published><updated>2005-01-16T22:01:13.426-02:00</updated><title type='text'>'Raios de sol no céu da cidade'</title><content type='html'>40º no último termômetro que olhei, na saída do Norte Shopping. Sábado de plantão. P-L-A-N-T-A-O-til, é assim, pausada e melancolicamente, que a palavra soa na minha cabeça sempre, e soava neste 15 de janeiro de 2005, quando passava no estacionamento de táxis, em direção à Marquês de Pombal para mais umas horas de trabalho, totalmente incovenientes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na entrada da rua, ouvi melodia conhecida, vinda de um carro que estava recebendo um trato na oficina Elisjor (Elisabete e Jorge?). Era "Lua e estrela", de Vinicius Cantuária, na única gravação que conheço, a de Caetano Veloso. A música, com um apelo popular que sempre foi acentuado na face intérprete de Caetano, nunca foi das minhas favoritas, definitivamente. Nem em fase mais bicho-grilo, violão e cabelão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, sei lá por que, a melodia me tirou daquele estado meio anestesiado no qual eu me arrastava até o prédio da Irineu Marinho. Quando voltei a cabeça de volta do carro para a rua, vi o sol chapando na calçada de pedra portuguesa, o cheiro de asfalto que não há igual ao do Centro, o chão sujo dos restos do jornal (1º clichê de domingo) que àquela altura já estava sendo lido por aí, e a visão me lembrava a frase "no jornal anda o presente" que tinha acabado de ler no "Torquatália [Geléia Geral}". Tudo nuns 5 segundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O som um tanto saturado (caixas de som meia-bomba) que saía do carro foi o gatilho para que eu sacasse outro olhar para encarar "esse espelho que é nossa cidade" num sábado de plantão. E até que as horas de trabalho que vieram depois não foram tão ruins quanto se insinuavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho de estar atento para quando coisas assim acontecerem de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-110592007342856677?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/110592007342856677/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=110592007342856677' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110592007342856677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110592007342856677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2005/01/raios-de-sol-no-cu-da-cidade.html' title='&apos;Raios de sol no céu da cidade&apos;'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-110565721749533071</id><published>2005-01-13T20:58:00.000-02:00</published><updated>2005-01-13T21:00:17.496-02:00</updated><title type='text'>Bença</title><content type='html'>Fala do Cesar, em conversa de sábado em volta da mesinha redonda lá de casa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Dona Ivone Lara foi uma ponte fundamental entre o samba formatado nos anos 30 e o nascido no Cacique de Ramos, de fim de 70, início de 80. Fundo de Quintal, por exemplo, gravou músicas dela em vários discos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na hora, ouvíamos Almir Guineto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;===&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a velha história da relação com as gerações anteriores. Pode se dar de diversas formas: Mutantes/Silvio Caldas, mangue bit/Alceu Valença, Edu Lobo/Tom Jobim. Mas não importa -  mesmo a iconoclastia é, na verdade, uma forma particular de "pedir bença", como aprendi moleque e faço até hoje com meu avô.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-110565721749533071?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/110565721749533071/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=110565721749533071' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110565721749533071'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110565721749533071'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2005/01/bena.html' title='Bença'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-110540437393128372</id><published>2005-01-10T21:47:00.000-02:00</published><updated>2005-01-10T22:46:13.933-02:00</updated><title type='text'>Da série 'Do lar'</title><content type='html'>Música para estender roupa no varal às 0h43 de domingo para segunda, quando se está louco para dormir e pensando no despertador tocando 6 e pouca da madrugada, ou seja, muito mais cedo do que deveria num mundo ideal:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Stormy weather" na voz de Billie Holiday.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o que observei, quando Paula - que cumpria a faina caseira, vivendo cada detalhe da situação descrita - teve disposição para dizer, com leveza, que a canção estava caindo muito bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada a ver com as evocações climáticas do título, acredito. Afinal, uma das coisas boas deste calor infernal do Rio, praia à parte, é que as roupas secam rápido.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-110540437393128372?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/110540437393128372/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=110540437393128372' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110540437393128372'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110540437393128372'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2005/01/da-srie-do-lar.html' title='Da série &apos;Do lar&apos;'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-110540073963945702</id><published>2005-01-10T21:41:00.000-02:00</published><updated>2005-01-10T21:45:39.640-02:00</updated><title type='text'>Gonzaguinha no Grajaú</title><content type='html'>Estava para escrever essa há um tempo, foi uns dias antes do Ano Novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Casa do André e da Dani. Ela tinha ido dormir. Na sala, ficamos eu, Paula, Cesar, os dois Andrés e Clarisse, a gatinha vira-lata da casa - com o temperamento difícil de quem foi criada na rua, ela sempre me deixa tenso e ligado, à espera do bote, mesmo quando o sono já confunde os sentidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pilha de CDs que Cesar sacou de sua bolsa estava no canto da mesa, quase em frente ao lugar onde eu estava sentado. Mais para o centro, uma vasilha rasa de vidro, com o que sobrou de uma farta porção de salaminho. A desordem gordurosa das rodelas vermelhas, os guardanapos amassados pela mesa e as tampinhas com a seta em curva da Skol Long Neck espalhadas por todos os cantos indicavam que a madrugada já ia funda. O canto do galo louco do Grajaú confirmava o adiantado da hora, com sua imprecisão de costume.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cesar puxou um CD do Gonzaguinha e pediu atenção para uma música. "'É João do Amor Divino', ouve aí". Não conhecia. Samba arrastado, arranhado, mais uma daquelas letras cortantes do compositor, no qual as preocupações sociais mais amplas se confundem com as emoções do individualismo mais profundo. Eu ouvia, Cesar ouvia, mas o papo dos outros continuava, alheio à canção. Quase no fim, André se ligou na música. Quando acabou, olhou pro Cesar, "vamos ouvir de novo". Desta vez, todo mundo fez silêncio - menos o galo, talvez, mas não tenho certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De olhos fechados, André e Cesar começaram a cantar junto com Gonzaguinha, verso a verso. Clichê de bêbado, né não? Pois é. Mas fiquei - resisto em escrever, mas a palavra é essa mesmo - enlevado. E não estava bêbado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É fácil debochar de Gonzaguinha, dos bêbados e do sujeito enlevado. Mas a manha está em saber entender. Ou, no mínimo, respeitar. Música popular é coisa séria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco antes, conversando sobre Gonzaguinha com Cesar, eu comentava a má vontade de uma certa parcela da crítica e do público mais escolado com o compositor. É certo que alguns versos andam na zona cinza entre bom gosto e mau gosto. Os arranjos, por sua vez, muitas vezes o aproximam de artista infinitamente menores que ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele era, porém, Artista, com maiúscula, caixa alta. Claro, dentro de uma interpretação possível para o que é Arte - no caso, de que Arte é Verdade, mesmo que seja aquela a que Pessoa de refere ao retratar o poeta como "um fingidor".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando ao papo com Cesar, posso resumi-lo a uma idéia central. Vamos lá:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gonzaguinha foi criado na favela, mas não tem os atributos de "raiz", de patrimônio ancestral a ser preservado. Não é a Velha Guarda da Portela, o Nelson Sargento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, se criou no movimento universitário, mas não há nenhum aspecto formal de suas letras que denuncie isso. Sua poesia é de imagens cruas - ao mesmo tempo fáceis e incisivas: "nosso caso é uma porta entreaberta", "com a outra você faz de tudo lembrando daquela tão santa que é dona do seu coração", "sem o seu trabalho um homem não tem honra", "a lama nos sapatos é a medalha que ele tem pra mostrar" e tantas outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem a "pureza" da tradição, nem a "sofisticação" do saber acadêmico. Esse espaço entre os dois universos, que seria de profunda originalidade, foi transformado, por uma certa visão, num limbo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, por motivos diferentes de "Macalé, Baudelaire, Luiz Melodia" (como lista de Baleiro), Gonzaguinha, compositor popular na integridade da expressão, virou estranhamente um maldito.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-110540073963945702?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/110540073963945702/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=110540073963945702' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110540073963945702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110540073963945702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2005/01/gonzaguinha-no-graja.html' title='Gonzaguinha no Grajaú'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-110502697558346679</id><published>2005-01-06T13:39:00.000-02:00</published><updated>2005-01-07T18:24:24.436-02:00</updated><title type='text'>Maçã mordida</title><content type='html'>Caco de pensamento nascido no &lt;a href="http://oglobo.globo.com/online/cultura/148131855.asp"&gt;segundo dia do Humaitá Pra Peixe&lt;/a&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que significa, realmente, o fato de a maçãzinha mordida da Apple ser um símbolo atualmente tão marcante nos palcos da música pop - faminta de símbolos de comunicação imediata - quanto já foi um dia o logo da Pearl?&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-110502697558346679?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/110502697558346679/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=110502697558346679' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110502697558346679'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110502697558346679'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2005/01/ma-mordida.html' title='Maçã mordida'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-110494923629066463</id><published>2005-01-05T15:55:00.000-02:00</published><updated>2005-01-05T16:20:36.290-02:00</updated><title type='text'>Em tempo</title><content type='html'>No exato momento em que o visor do meu celular marcou 00:00 do dia 01/01/2005, o que se ouvia lá em casa era "Rap do Salgueiro" - Claudinho e Buchecha em estado bruto, numa celebração hedonista do amor, da união, do suor da pista de dança e da beleza das mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica para todos a convocação para "arrepiar, agitar o mundo" no ano que começa. Feliz 2005, façamos por merecer.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-110494923629066463?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/110494923629066463/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=110494923629066463' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110494923629066463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110494923629066463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2005/01/em-tempo.html' title='Em tempo'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-110489571146188822</id><published>2005-01-05T01:24:00.000-02:00</published><updated>2005-01-10T23:42:14.820-02:00</updated><title type='text'>Adoniran e a codorninha</title><content type='html'>Bio-randômico. É assim que chamo o estranho sistema que uso quase sempre que vou ouvir um disco. Paro em frente às pilhas de CDs que se acumulam em ordem alfabética no chão do futuro escritório-quarto-do-neném-sala-de-vídeo - por enquanto, apenas um depósito - lá de casa, faço rapidamente um cálculo com variáveis como dia, mês e letra que inicia o nome da última música que ouvi no CD anterior. Assim, escolho, aleatoriamente, o que ouvir. Eu sei, bio-randômico não é um termo semanticamente correto ou cientificamente preciso, mas serve bem para a idéia que tenho do processo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Loucura? Certamente, ou então uma manifestação de TOC, o que me aproximaria do Rei e (como esquecer?) da Luciana Vendramini. Mas "de perto ninguém é normal" e tal e coisa e coisa e tal. Não me preocupo com isso. Mesmo porque desse jeito às vezes eu consigo montar seqüências inusitadas que revelam ligações insuspeitas ou, no mínimo, nada óbvias. Aconteceu dia desses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro que a minha roleta insana apontou foi uma coletânea de sambas, de uma coleção excelente que saiu nas bancas há uns anos - "Os grandes sambas da história", se não me engano. Era o fascículo sobre o samba de Sampa: Adoniran Barbosa, Demônios da Garoa, Paulo Vanzolini e pouco mais que isso. O astro do repertório é Adoniran, que interpreta ou assina a maioria das músicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adoniran é um cara único. É criticado muitas vezes por não ser "real", apenas um mero personagem cômico, construído, que almeja somente o riso com seus sambas e não uma "transcendência", alvo legítimo da "verdadeira arte". Ora, todos construímos continuamente nossos personagens - agora, estou experimentando isso de uma maneira diferente aqui neste "Cadê Teresa?", por exemplo. E assim nos fazemos reais. Infelizmente, nem todos os personagens com os quais cruzamos por aí têm o humor como traço de personalidade, como Adoniram tinha. A maneira como formatou no rádio um tipo de samba que crescia informalmente nas periferias paulistanas, com características diferentes das do Rio e da Bahia, a tipificação de uma malandro com outro sotaque que não o da Lapa, e sobretudo o uso da graça para amarrar tudo e dar consistência à personalidade de sua música, fizeram de Adoniran um dos grandes. Ele sacou o "A alegria é a prova dos nove", que Oswald de Andrade escreveu anos antes no &lt;a href="http://www.lumiarte.com/luardeoutono/oswald/manifantropof.html"&gt;"Manifesto Antropófago"&lt;/a&gt; - mito fundador da cultura brasileira do século 20.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À sua maneira, sem teorizações - apenas &lt;em&gt;praticações&lt;/em&gt;, diria o próprio -, o que Adoniran apresentava em sua música era uma proposta estética. Seu manifesto estava diluído em seus erros de português. Ele enuncia isso no diálogo de introdução de "Letra de samba" (Hervê Cordovil/ Oswaldo Molles), no qual defende que "para escrever uma boa letra de samba, sentida, tem que ser em primeiro lugar narfabeto". A síntese do pensamento, porém, está na faixa 3, "Luz da light" (a propósito, grande título). Os versos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Lá no morro&lt;br /&gt;Quando a luz da Light pifa&lt;br /&gt;A gente apela pra vela&lt;br /&gt;Que alumeia também&lt;br /&gt;Quando tem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não tem&lt;br /&gt;Não faz mal&lt;br /&gt;A gente samba no escuro&lt;br /&gt;Que é muito mais legal&lt;br /&gt;E é natural&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando isso acontece&lt;br /&gt;Há um grito de alegria&lt;br /&gt;A torcida é grande&lt;br /&gt;Pra luz voltar só no outro dia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o dono da casa&lt;br /&gt;Estranhando a demora e achando impossível&lt;br /&gt;Desconfia logo que alguém passou&lt;br /&gt;A mão no fuzil&lt;br /&gt;Do relógio da luz&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A chave está ali, nos versos finais, quando ele usa "fuzil" no lugar de "fusível", abdicando da rima com "impossível" com um irreverente drible. Com a escolha, Adoniran sublinha que, para ele, a coerência estética da incorreção gramatical vale mais que tudo. Até que a justeza óbvia da métrica e da rima. Tem ou não força de manifesto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorria e pensava ainda nisso tudo quando o disco acabou. De volta ao método psicótico-aleatório, cheguei ao CD de estréia do extinto Little Quail and The Mad Birds, grupo de Brasília dos anos 90. A coincidência de o disco trazer uma versão anarco-reverente de "Samba do Arnesto" me fez lembrar do adesivo espírita que já li tantas vezes em vidro traseiro de Passat, Brasília, Gol e Chevette - "Coincidências não existem, leia Kardec". Como Kardec tem nada a ver com isso, me concentrei na primeira parte do conselho. E até que fez sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há mais diferenças que semelhanças, ok. Mas, na essência, o Little Quail (Codorninha, em bom português) segue a trilha do humor popular de Adoniran, da graça de um "Balança mas não cai", de uma "Escolinha do Professor Raimundo" - remodelado em novos bordões, mas eles ainda estão lá. Como em "Baby now", uma espécie de síntese do rock'n roll, ao repetir as palavras "baby" e "now" sobre uma base bem Ramones, que por sua vez bebe no rock dos 50. Ou no blues "O sol eu não sei", cuja letra emenda, num fôlego só "O-céu-é-azul-as-plantas-são-verdes-o-sol-eu-não-sei-porque-quando-eu-olhei-o-olho-doeu". E, ouvindo "Azarar na W3" ("Oh, baby/ Vou te azarar na W3"), é difícil não pensar que a música mostra uma porção da alma de Brasília da mesma maneira que "Samba do Arnesto" faz com São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, mesmo que nada disso houvesse, Adoniran e Little Quail se encontram, com a inteligência do riso, no verso de Oswald: "A alegria é a prova dos nove".&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-110489571146188822?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/110489571146188822/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=110489571146188822' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110489571146188822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110489571146188822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2005/01/adoniran-e-codorninha.html' title='Adoniran e a codorninha'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-110382892091174135</id><published>2004-12-23T17:08:00.000-02:00</published><updated>2004-12-23T17:08:40.913-02:00</updated><title type='text'>Fosfobox jukebox</title><content type='html'>Com pista de piso quadriculado preto-e-branco e tamanho que justifica o nome, é simpática a tal de Fosfobox, boate de Copacabana que anda experimentando um hype – talvez já tenha passado, sei lá, meu relógio hype é meio desregulado. Festa esquema nome na porta 0800, madrugada de quarta para quinta-feira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite era rock – para quem entende o gênero com uma certa abertura. O repertório ia de obviedades e quase obviedades (faixas do lado B de uma banda óbvia) a boas surpresas. Listo algumas coisas legais que tinha esquecido e que lembrei lá, equilibrando minha dança torta entre os quadrados pretos e brancos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Noel Rosa ensinou há décadas que “o samba nasce do coração”. A seu jeito, o Dee-Lite repetiu a lição na irresistível “Groove is in the heart”. Destaco as paradinhas, a linha de baixo e, é claro, o apito (ou qualquer outro nome que se chame aquele assovio).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O balanço duro, cheio de arestas – ainda assim, balanço – de “Tell her tonight”, de Franz Ferdinand.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A subida para o agudo que Kurt Cobain faz na última parte de “Breed” – lembrei do Cesar levando o LP “Nevermind” para o Pedro II.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O grave da guitarra de Mr. White e a bateria-marreta, nada sutil, de Mrs. White em “Seven nation army”, dos White Stripes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O dueto Bowie-Mercury em “Under pressure”, do Queen. A gente sente falta do corinho do Vanilla Ice, mas a dupla dá conta do recado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O bi-bi (ou beep-beep) de “Drive my car”, dos Beatles.&lt;br /&gt; PS: Segunda-feira fui na Maldita, acompanhado de Paula e do casal Fernando e Marília – ela, goiana da gema, em temporada carioca. Fernando brincou que nunca ouviu nada brasileiro (nem mesmo cantado em inglês) na festa. É verdade. Será que isso tem um significado? Sei lá, sobre o conceito de “maldito”, sobre a música brasileira, sobre a cena indie carioca (seja lá o que queira dizer isso)... Ah, viagem. Deixa estar.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-110382892091174135?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/110382892091174135/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=110382892091174135' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110382892091174135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110382892091174135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2004/12/fosfobox-jukebox.html' title='Fosfobox jukebox'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-110374658381257190</id><published>2004-12-22T18:15:00.000-02:00</published><updated>2004-12-22T18:16:23.813-02:00</updated><title type='text'>Coletânea de Natal</title><content type='html'>É um desses lançamentos temáticos, voltados para as comemorações natalinas – uma coletânea de Frank Sinatra cantando músicas de Natal. A doçura impossível dA Voz, a suave cama de cordas, as melodias lindas lindas – tudo no CD representa o mito da perfeição do Natal americano. Ouvindo o disco, imagina-se a neve caindo do lado de fora da janela, a família sorridente de bochechas rosadas reunida em torno da mesa, o pinheiro enorme com brilhantes bolas de vidro e uma estrela radiante na ponta, a lareira com as meias pregadas à espera de presentes. A América plena de felicidade dos anos dourados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imagem não me toca. Não que as melodias natalinas americanas não me sensibilizem. Se me fazem pensar nos “dingoubéus” estridentes e antipáticos dos alto-falantes das lojas das ruas e shoppings, por outro lado me lembram das emocionadas cantatas de Natal que assisti na Igreja Batista do Méier. E, no fim das contas, são belas canções. Mas não constroem meu Natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha coletânea teria um samba por parte de pai (talvez “Sacode Carola”, com Walter Alfaiate) e “Noite feliz” por parte de mãe. Algo deliciosamente pop entraria na conta da minha irmã, podia ser o Bee Gees que ela adorava quando criança, ou a Rita Lee. “Argila”, de Carlinhos Brown, que gravei certa vez numa fita para Paula (se gravava fitas cassete quando começamos a namorar, faz um tempo), podia entrar no meio, tipo faixa 5 ou 6. Dos natais mais recentes passados na casa dos sogros, teria o canto dos canários de seu Manuel, um eventual latido da Zaira e o espocar dos fogos de artifício de Inhaúma. Para a troca de presentes, “Alegria”, de Arnaldo Antunes (“Eu vou te dar alegria/ Eu vou parar de chorar/ (...)/ A tristeza é uma forma de egoísmo/ Eu vou te dar, eu vou te dar, eu vou te dar”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última faixa seria óbvia e nada exclusiva. A representação mais perfeita do Natal sem neve, sem pinheiro enorme, sem meia na lareira, sem lareira. Melancolia pura, ironicamente disfarçada de canção tradicional idílica. É de Assis Valente, “Boas festas” (“Eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A marchinha seria tocada por uma bandinha de coreto, dessas que a gente encontra aqui no subúrbio pelas calçadas, anunciando inauguração de loja ou imperdível promoção. Sou fascinado por elas. Com um misto de vergonha e pressa, Paula sempre me puxa pela mão, como se eu fosse um moleque, quando paro em frente a uma delas para ouvir. Mas sempre saio levando comigo o rufar da caixa, que me ajuda a entrar no ritmo e a cantarolar silenciosamente, mesmo mentindo, que “felicidade é brinquedo que não tem”.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-110374658381257190?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/110374658381257190/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=110374658381257190' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110374658381257190'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110374658381257190'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2004/12/coletnea-de-natal.html' title='Coletânea de Natal'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-110374651363055497</id><published>2004-12-22T18:14:00.000-02:00</published><updated>2004-12-22T18:15:13.630-02:00</updated><title type='text'>Gastar palavras</title><content type='html'>O leitor da seção de cultura da revista “Veja” sabe que ali a crítica é apoiada o tempo todo numa denúncia dos clichês de uma certa “visão esquerdista” sobre a produção cultural brasileira – clichês que passam pelo discurso da antropofagia, pela malandragem de navalha-no-bolso-e-lenço-no-pescoço e pelas figuras malasartianas dos trabalhos de Ariano Suassuna. Sim, a postura da revista poderia servir para gerar um debate sobre o valor dessas imagens como representativas da cultura do país. Porém, na maioria das vezes, o que temos é uma constrangedora birra esquerda/direita – com todas as características de uma inconseqüente briga de crianças, mas sustentada coerentemente e sem inocência por toda a linha editorial da publicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na semana passada, recebi a edição – capa “A busca pelos sinais históricos da vida de Jesus” – das mãos do porteiro, como de costume. E como de costume, vim folheando no elevador, de trás para frente, como também faço (fazemos todos, acredito) no caderno Economia/Esporte do jornal. Saltou a matéria sobre o compositor e professor José Miguel Wisnik, de título debochado (“O acadêmico showman”) e box igualmente irônico (“Os confetes ‘poético-musicais’ de Wisnik”). A edição da página dava a bula para a matéria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia era vender Wisnik como um sujeito cujo discurso - maquiado com uma habilidade de “grande comunicador” e com recursos de estilo como “aliterações, rimas e trocadilhos” – é muito mais raso do que parece. Na verdade, eliminada a perfumaria da superfície, nada restaria. Para reforçar a tese, o box da matéria trazia trechos do livro que “provariam” o quão vazias são as palavras do escritor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário do que fazem crer a matéria e sua bem cuidada edição, Wisnik tem muito a dizer. Relaciona com inteligência e sensibilidade conhecimentos de música, poesia, filosofia, mitologia e lingüística em seu trabalho – tanto como professor quanto como compositor. Recomendo o livro “O som e o sentido”, uma reflexão original sobre a história da música relacionada com os diferentes momentos da trajetória da humanidade, e o CD “Pérolas aos poucos”, com propostas melódicas e harmônicas que nada têm de rasas (ouça as referenciais/metalingüísticas “Assum branco” e “Baião de quatro toques”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Página aberta, ainda antes de entrar em casa, andando no corredor do décimo andar em direção ao 1005, lembrei de outros casos e cogitei que talvez a matéria refletisse mais que uma birra ideológica localizada. Ela se sustenta sobre uma mediocridade intelectual generalizada que tem público à esquerda e à direita (no espectro político) e acima e abaixo (na pirâmide social).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os “outros casos” que lembrei foram Djavan e Gilberto Gil. Como a matéria da “Veja” fez com Wisnik, é comum encontrarmos versos de músicas (no caso de Djavan) e frases de entrevistas (no caso de Gil) sendo usadas para ilustrar uma prolixidade ou tendência ao nada-dizer da dupla. Sempre recebi com antipatia esse tipo de crítica, que vejo como fruto de pura preguiça intelectual. Pior, travestida de inteligência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos anos, sobretudo após o advento Vercilo, virou moda fazer graça com Djavan. De seus scat vocals à poesia (taxada de) nonsense, tudo é alvo de gozação. Dia desses recebi um mail com um texto nessa linha, “O homem que falava djavanês”. Rende piada, ok, mas não pode ser encarado como crítica séria. Afinal, versos não são frases de um comunicado. Neles, a palavra está a serviço da plasticidade, do subtexto, do ritmo, de sua força imagética. Criticar uma suposta falta de clareza seria como desqualificar qualquer pintura que não fosse figurativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gil, que sempre foi criticado pelas voltas de seu discurso, virou alvo fácil quando começou a falar como ministro. A amplitude da visão que tem sobre sua pasta (Cultura) não cabe dentro de jargões – sejam eles da política ou do meio cultural. A reação então, é similar a que se tem com Djavan e, agora, Wisnik: a ridicularização, que evita o pensar, tentar destrinchar os caminhos nada óbvios das idéias até chegarem ao texto, à fala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Num tempo em que se é obrigado a economizar tantas coisas, por que economizar também palavras?”, perguntou Gil numa entrevista há alguns anos. Pois é, nunca encontrei nenhuma boa resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-110374651363055497?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/110374651363055497/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=110374651363055497' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110374651363055497'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110374651363055497'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2004/12/gastar-palavras.html' title='Gastar palavras'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-110329338969037983</id><published>2004-12-17T13:13:00.000-02:00</published><updated>2004-12-17T12:23:09.690-02:00</updated><title type='text'>Atendendo a pedidos</title><content type='html'>Este é só para avisar que o burocrático sistema de comentários que imperava neste blog acaba de rodar. As reclamações foram muitas - umas com jeito de sugestão, outras de esporro - e me convenceram a me coçar para driblar a imposição do Blogger. Agora ficou mais fácil comentar aqui, sem precisar de senhas e dezenas de cliques.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A má notícia é que os comentários antigos rodaram junto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: Valeu Flavio Vaz, que me deu o caminho das pedras para o novo sistema de comentários.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-110329338969037983?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/110329338969037983/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=110329338969037983' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110329338969037983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110329338969037983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2004/12/atendendo-pedidos.html' title='Atendendo a pedidos'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-110323432787768335</id><published>2004-12-16T19:56:00.000-02:00</published><updated>2004-12-17T12:31:52.410-02:00</updated><title type='text'>TKS</title><content type='html'>O agradecimento expresso nas três letras aí de cima não me fazem pensar no "thanks" da língua inglesa, nem no código universal do radioamadorismo. Quando o ouço, me imagino sentado no banco do carona de um táxi, vendo qualquer rua da paisagem do Rio, numa conversa regada de cariocas peculiaridades: dicas sobre as novas moças contratadas na Vila Mimosa, dramas de mulheres ingratas viciadas em caça-níqueis, portifolios sacados do porta-luvas pelo motorista-artista, motivos para o adesivo "Deus é fiel" do painel do carro estar rasgado. Para quem senta no banco do carona e faz um comentário sobre o trânsito ou o tempo para quebrar o gelo, táxis são como crônicas ambulantes de Aldir Blanc. Metonímias da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso tudo foi para mandar o tks para Mauricio Santoro, Mônica Ramalho e Marcelo Moutinho, que em seus blogs &lt;a href="http://osconspiradores.blogspot.com/"&gt;&lt;strong&gt;Os conspiradores&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://omeufuscafala.zip.net"&gt;&lt;strong&gt;O meu fusca fala&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://pentimento.zip.net"&gt;&lt;strong&gt;Pentimento&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;, fizeram menção carinhosa a este &lt;strong&gt;Cadê Teresa?&lt;/strong&gt;. Um agradecimento carioca para quem, certamente, sabe entendê-lo.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-110323432787768335?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/110323432787768335/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=110323432787768335' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110323432787768335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110323432787768335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2004/12/tks.html' title='TKS'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-110314888269345352</id><published>2004-12-15T19:08:00.000-02:00</published><updated>2004-12-15T20:16:01.316-02:00</updated><title type='text'>Uma saideira, muita saudade</title><content type='html'>Terça de manhã, antes de vir para o trabalho, ouvia "Hoje tem samba", o último (se não me engano) CD da dupla Arlindo Cruz &amp; Sombrinha antes de cada um seguir seu caminho. A primeira faixa, "Consciência", descia bem. Um samba sobre o fim de um amor no qual, num verso, o sujeito pedia de volta à mulher o disco do Nelson Cavaquinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estalo: tem metáfora melhor para uma separação que se pedir um disco de volta? Pensei nisso porque outro dia ouvi uma canção de Zeca Baleiro - disco "Mandando bala", de Rossanna Decelso - no qual o personagem exigia a devolução de seu disco do Frank Zappa. A referência de ambas, é claro, é o "Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim/ O resto é seu", do "Trocando em miúdos" de Chico Buarque - que em "A Rita" já cantara o lamento do jovem rapaz que perdera "um bom disco de Noel" para uma mulher que se foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedir de volta um disco é reconstrução de identidade. É reafirmar que "eu ainda sou o que eu era antes de sua passagem pela minha vida. Eu ainda gosto desse disco, independente de você". É marcar diferenças para se desligar da persona-casal que - aos poucos e eternamente enquanto durasse - vinha sendo construída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedir de volta um disco também é agressão. Os personagens de Arlindo &amp;amp; Sombrinha, Baleiro e Buarque dizem nas entrelinhas: "Você não saberá aproveitar esse disco, você nunca entendeu nem nunca entenderá Cavaquinho/ Zappa/ Pixinguinha".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedir de volta um disco é garantir a muleta que amanhã vai ajudar a suportar a dor da saudade. É recuperar lembranças da vida em comum com mais dignidade que se pedisse um álbum de fotos, por exemplo. E, no fim de uma relação, qualquer um sabe que um disco pode ser quase (ou mais que) um álbum de fotos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedir de volta um disco é triste.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-110314888269345352?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/110314888269345352/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=110314888269345352' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110314888269345352'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110314888269345352'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2004/12/uma-saideira-muita-saudade.html' title='Uma saideira, muita saudade'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-110308204672676782</id><published>2004-12-15T01:37:00.000-02:00</published><updated>2004-12-15T01:41:39.840-02:00</updated><title type='text'>Ponte de mão dupla</title><content type='html'>Dia desses, Miguel Conde fez uma gentil ponte de seu excelente blog &lt;a href="http://www.olivetti22.blogger.com.br"&gt;&lt;strong&gt;Olivetti 22&lt;/strong&gt; &lt;/a&gt;para este espaço aqui. Esse parágrafo é só para agradecer e, humildemente, indicar a visita aos textos do amigo, que é escritor e jornalista de primeira. Já tinha lido um de seus textos em “Prosas Cariocas”, coletânea de contos, cada um inspirado num bairro do Rio e feito por um autor da nova geração literária carioca. Gostei bastante. Mas seu talento me capturou de verdade num plantão à toa desses de fim de semana. Lá pelas 23h de um domingo, vi o endereço do Olivetti 22 numa coluna do jornal do dia seguinte. Fui lá dar uma olhada rápida e perdi (ganhei) uns 30 prazerosos minutos por lá. Recomendo a experiência, que repito quase diariamente desde então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando indicou o &lt;strong&gt;Cadê Teresa?&lt;/strong&gt; em seu blog, Miguel descreveu-o assim: “Começa com o propósito de falar de música e suas conseqüências na cabeça do autor e de todos nós, mas minha experiência pessoal com blog é de descambamentos ocasionais das intenções iniciais”. Meu primeiro descambamento vai em homenagem ao Olivetti 22.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-110308204672676782?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/110308204672676782/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=110308204672676782' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110308204672676782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110308204672676782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2004/12/ponte-de-mo-dupla.html' title='Ponte de mão dupla'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-110307137343937045</id><published>2004-12-14T22:40:00.000-02:00</published><updated>2004-12-14T23:53:08.310-02:00</updated><title type='text'>O Rei nu</title><content type='html'>“Pra sempre”, caixa com os discos de Roberto Carlos de 1963 a 69, foi a trilha sonora do fim de semana lá em casa. Nosso humilde microsystem parecia estar transmitindo uma longuíssima edição especial do programa do Segundinho, filho do Rei. Chegou ao ponto de no domingo, lá pelas 20h, Paula – conhecedora e fã de todos aqueles discos da caixa – pedir para botar um CD do Clash. Legal, mas bastou ela ir para o quarto que “O inimitável” (maravilhoso título), sétimo CD da caixa, voltou a rodar na vitrola laser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A relação da Paula com os discos é algo totalmente novo (e curioso) para mim. Quando estávamos ouvindo o CD “É proibido fumar”, numa faixa tipo “Amapola”, ela falou em lembranças profundas de infância ou algo assim – Seu Manuel e Dona Célia, pais dela, têm a coleção toda até os anos 80, acho, e foram/são fãs da Jovem Guarda. Lá em casa ninguém era fã de Roberto Carlos – no armário de LPs do meu pai tinha 1 ou 2 dele, que nunca eram ouvidos. Para mim, Roberto Carlos sempre será um grande cantor, um compositor de enorme sensibilidade, simples e direta, um sujeito com um carisma que o elevou, aliado ao talento, à condição de Rei. Para Paula, Roberto Carlos é a voz de sua mãe cantando músicas que ela aprendeu aos 4 anos e lembra até hoje; é o aconchego e os dramas da infância, que anteciparam os que vieram depois e a preparam para lidar com eles. Esse é o fascínio da música popular (sua dor e delícia, expressão que Miguel me lembrou dia desses, também pertinentemente extraída de versos de canção): a maneira como constrói, em tempo real, uma trilha sonora para nossas lembranças, organiza sons para os cheiros e as imagens de nosso passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Divagações deixadas de lado por enquanto, voltemos para a caixa. Faz o maior sentido o Roberto Carlos fase Jovem Guarda ser associado à infância. Muitas músicas são historinhas, como a do leão que fugiu do circo (“Um leão está solto nas ruas”), a do beijo seguido do tapa no cinema (“Splish splash”), ou a do sujeito que encontrou uma lâmpada com um gênio (“O gênio”). Outras são lamentos de amor com pequeno repertório sentimental e vocabular: ficam recombinando palavras como amor, saudade, esquecimento, procura, espera, choro, sofrer. No geral, com suas rimas pueris, conflitos imaturos e uma alegria (ou tristeza) simples, sem tons de cinza, o apelo daquelas canções é claramente infantil. Para o bem e para o mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tendi mais para o “para o bem” e confesso que adorei. Há deliciosas crônicas de costumes de uma certa juventude urbana da época, coisas como “É papo firme”(“Essa garota é papo firme/ (...)/ Ela adora uma praia/ E só anda de mini saia/ Está por dentro de tudo/ E só namora cara cabeludo”), “Broto do jacaré” (“Que bonitinha que ela é/ Deslizando num jacaré”), “Os sete cabeludos” (“Vinha o meu carro em doida disparada/ Com sete cabeludos pra topar qualquer parada/ Foi quando, de repente, a cena eu avistei/ E o freio do carango bruscamente eu pisei”) e “Eu sou fã do monoquíni” (“Um brotinho de monoquíni/ Que antes só usava biquíni/ Vinha caminhando assanhada”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E há também grandes canções, que são mais que simples crônicas. Talvez “Parei na contramão”, do primeiro disco, seja a primeira da discografia a merecer a menção – gosto muito daquela história do “Acho que esse guarda nunca se apaixonou”, dos apitos e freadas e da levada rock’n roll clássica, de Jerry Lee Lewis, Elvis Presley e Chuck Berry. Mas com “É proibido fumar”, do segundo disco, tenho mais certeza. A maneira como a letra parte de uma sinalização urbana (a tal placa de “é proibido fumar”) e a transforma numa metáfora para falar de tesão, a transgressão juvenil que propõe, tudo amarrado numa música irresistível, faz da canção um clássico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curiosidade de composição que pincei na audição da caixa: em muitos versos, o verbo é jogado para o final, para facilitar a rima. Tem coisas como “Minha carteira pro xadrez levou” (“Parei na contramão”), “Mas com água na boca muita gente ficou” (“Splish Splash”), “Mas nem adianta o aviso olhar” (“É proibido fumar”), “A minha prancha o vento para longe levou” (“Broto do jacaré”). Outra curiosidade é a muleta do “nem mesmo”, que a dupla Roberto e Erasmo usa para completar a métrica de versos. A estratégia está em “Quando” e “As curvas da estrada de Santos”, entre outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fascinante acompanhar uma década de discografia, seguir o caminho da formação de um artista. Se o rockabilly e as baladas italianadas eram a cartilha do cantor nos primeiros discos, mais para frente ele chega musicalmente aos timbres e riffs de guitarra londrinos (Beatles) de ”Quando” e “Nem mesmo você” – esta remete, na sonoridade e na virada inicial de bateria, a “Ticket to ride”. A aproximação com o soul, com a música negra americana, se anunciava em canções como “As curvas da estrada de Santos”, “Se você pensa”, “Eu te amo, te amo, te amo”, “Não há dinheiro no mundo”, com uma linha de baixo “tipo Tim Maia Racional”, como comentou Paula. Nas letras, ao lado do parceiro Erasmo, chegou ao lirismo de “As canções que você fez pra mim” e “Sua estupidez” – perfeitas canções pop(ulares) de amor, universais e sensibilíssimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lirismo romântico vindo do samba-canção (e da bossa-nova e de todo o resto), acrescido das guitarras do rock americano, das melodias inglesas e, mais tarde, do ritmo africano (via negros americanos)... Um caminho que, coincidentemente, tem paralelos com o do Clash lá do alto do texto. E, sem coincidência nenhuma, é um testemunho de como a música realmente popular brasileira (do povão) e a música pop brasileira (da classe média) se formou no século 20. Ouvindo a caixa, entende-se que Roberto Carlos foi matriz para as duas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-110307137343937045?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/110307137343937045/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=110307137343937045' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110307137343937045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110307137343937045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2004/12/o-rei-nu.html' title='O Rei nu'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-110246881229143488</id><published>2004-12-07T22:44:00.000-02:00</published><updated>2004-12-07T23:21:41.546-02:00</updated><title type='text'>Alma de uma canção</title><content type='html'>Um canção tem alma? Alguma essência que existe por existir, independente da própria execução da música? Alguma força que não precisa dos sons para ser e que, por outro lado, pode manter-se oculta mesmo quando a canção é tocada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece besteira e é bem capaz de ser mesmo. Mas, como os céticos que vêem uma luz esquisita no céu e mesmo sem acreditar em OVNIS passam suas impressões adiante, eu relato:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvi "Valsa de uma cidade" (Antonio Maria/ Ismael Neto) no excelente "Só gafieira" , novo disco da dupla Zé da Velha (trombone) e Silvério Pontes (trompete). A interpretação - maliciosa, bem-humorada sem perder a elegância, romântica, algo nostálgica apesar de modernamente simples - parece estender à nossa frente, como uma tela, a tal alma da canção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria então a interpretação definitiva de "Valsa de uma cidade"? Creio que não. E por isso não acredito nessa "alma da canção". Almas, talvez.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-110246881229143488?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/110246881229143488/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=110246881229143488' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110246881229143488'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110246881229143488'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2004/12/alma-de-uma-cano.html' title='Alma de uma canção'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-110246663795746501</id><published>2004-12-07T21:36:00.000-02:00</published><updated>2004-12-07T23:23:38.046-02:00</updated><title type='text'>Meu calor, meu endereço</title><content type='html'>"Rock é nosso tempo" &lt;em&gt;("Chuckberry fields forever", Gilberto Gil) &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rock é direto, &lt;em&gt;straight to the point.&lt;/em&gt; O melhor rock não permite sinuosidades, enrolação, nem em seu lirismo. Suas imagens são cruas. Branco é branco, preto é preto - não que não existam outras tonalidades, mas ainda assim, cinza é cinza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensava em coisas como essa durante o (grande) show do Barão Vermelho no Canecão no último domingo. Mais especificamente, quando tocaram "Amor meu grande amor", de Ana Terra e Angela Rô Rô, blues na forma e profundamente rock na alma (redundância, como se o segundo pudesse negar a herança recebida do primeiro). Os versos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Amor, meu grande amor&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não chegue na hora marcada&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Assim como as canções&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Como as paixões e as palavras&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Me veja nos seus olhos&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Na minha cara lavada&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Me sinta sem saber&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Se sou fogo ou se sou água&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Amor, meu grande amor&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Me chegue assim bem de repente&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sem nome ou sobrenome&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sem sentir o que não sente&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Que tudo que ofereço&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;É meu calor, meu endereço&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A vida do teu filho&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Desde o fim até o começo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Amor, meu grande amor&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Só dure o tempo que mereça&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E quando me quiser&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Que seja de qualquer maneira&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Enquanto me tiver&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Que eu seja a última e a primeira&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E quando eu te encontrar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Meu grande amor me reconheça&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele momento, um casal ouvia de mãos dadas. Ele, imóvel. Ela, dançando linda e lentamente um ritmo que era mais dos versos que da música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em algum instante entre "se sou fogo" e "se sou água", ele pensava: isso também é rock'n roll.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-110246663795746501?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/110246663795746501/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=110246663795746501' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110246663795746501'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110246663795746501'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2004/12/meu-calor-meu-endereo.html' title='Meu calor, meu endereço'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-110211420185892346</id><published>2004-12-03T20:44:00.000-02:00</published><updated>2004-12-03T20:50:01.860-02:00</updated><title type='text'>Turmas e turmas</title><content type='html'>Tô lendo "Zicartola",  livro de Maurício Barros de Castro sobre o mítico restaurante. Pesquisa legal, mas o texto me parece meio durão e o subtexto, reaça paca. Mas uma fala de Elton Medeiros me chamou a atenção: "da mesma forma que se fala da turma da bossa nova, não se fala da turma do Estácio. Até 1928, o samba era maxixado. Em 1928 eles mudaram o samba, eles mudaram a rítmica do samba, que é esse samba que nós tocamos hoje."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rancor à parte, a queixa faz o maior sentido.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-110211420185892346?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/110211420185892346/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=110211420185892346' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110211420185892346'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110211420185892346'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2004/12/turmas-e-turmas.html' title='Turmas e turmas'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-110170210669976728</id><published>2004-11-29T02:18:00.000-02:00</published><updated>2004-11-29T02:27:56.643-02:00</updated><title type='text'>O bêbado e a equilibrista</title><content type='html'>O reencontro de João Bosco e Aldir Blanc na última quarta-feira, na entrega do Prêmio Shell de Música, teve &lt;a href="http://oglobo.globo.com/online/cultura/147183237.asp"&gt;&lt;strong&gt;canções maravilhosas, músicos excepcionais, falas espirituosas de Blanc, a inventividade da voz e do violão de Bosco&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;. O mais marcante, porém, foi ver no palco a reprodução de um traço fundamental das amizades de boteco: o carinho físico entre os amigos, o beijo na careca, a carícia vigorosa na barba – sobretudo entre a trinca Aldir, Guinga e Moacyr Luz. Característica de cultura popular brasileira que marca nossa melhor música: uma combinação de sensibilidade desarmada e virilidade, sem distinguir muito bem a fronteira entre uma e de outra. O bêbado e a equilibrista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-110170210669976728?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/110170210669976728/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=110170210669976728' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110170210669976728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110170210669976728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2004/11/o-bbado-e-equilibrista.html' title='O bêbado e a equilibrista'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-110170186116981754</id><published>2004-11-29T02:14:00.000-02:00</published><updated>2004-11-29T02:17:41.170-02:00</updated><title type='text'>O retrato do ministro quando jovem</title><content type='html'>Depois da coletiva com Gil, conversando sozinho com ele, perguntei que música, numa lista de canções de seus primeiros discos, anunciava melhor suas intenções como ministro. Ele apontou esta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Queremos saber&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queremos saber,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O que vão fazer&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Com as novas invenções&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Queremos notícia mais séria&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sobre a descoberta da antimatéria&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E suas implicações&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Na emancipação do homem&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Das grandes populações&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Homens pobres das cidades&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Das estepes dos sertões&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Queremos saber,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quando vamos ter&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Raio laser mais barato&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Queremos, de fato, um relato&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Retrato mais sério do mistério da luz&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Luz do disco voador&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pra iluminação do homem&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tão carente, sofredor&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tão perdido na distância&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Da morada do Senhor&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Queremos saber,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Queremos viver&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Confiantes no futuro&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Por isso se faz necessário prever&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Qual o itinerário da ilusão&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A ilusão do poder&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pois se foi permitido ao homem&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tantas coisas conhecer&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;É melhor que todos saibam&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O que pode acontecer&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Queremos saber, queremos saber&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Queremos saber, todos queremos saber&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-110170186116981754?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/110170186116981754/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=110170186116981754' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110170186116981754'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110170186116981754'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2004/11/o-retrato-do-ministro-quando-jovem.html' title='O retrato do ministro quando jovem'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-110170146285012073</id><published>2004-11-29T02:06:00.000-02:00</published><updated>2004-12-14T23:38:06.236-02:00</updated><title type='text'>Render-se</title><content type='html'>Em 1967, Gilberto Gil lamentava a chegada do homem à Lua em “Lunik 9”. Alguns versos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Poetas, seresteiros, namorados, correi &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;É chegada a hora de escrever e cantar &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Talvez as derradeiras noites de luar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mim me resta disso tudo uma tristeza só &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Talvez não tenha mais luar &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pra clarear minha canção &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O que será do verso sem luar? &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O que será do mar &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Da flor, do violão? &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tenho pensado tanto, mas nem sei”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois anos depois, lançou “Cérebro eletrônico”, análise desconfiadíssima do papel dos computadores na sociedade. Era assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Só eu posso pensar se Deus existe&lt;br /&gt;Só eu&lt;br /&gt;Só eu posso chorar quando estou triste&lt;br /&gt;Só eu&lt;br /&gt;Eu cá com meus botões de carne e osso&lt;br /&gt;Eu falo e ouço&lt;br /&gt;Eu penso e posso&lt;br /&gt;Eu posso decidir se vivo ou morro&lt;br /&gt;Porque&lt;br /&gt;Porque sou vivo, vivo pra cachorro&lt;br /&gt;E sei&lt;br /&gt;Que cérebro eletrônico nenhum me dá socorro&lt;br /&gt;Em meu caminho inevitável para a morte&lt;br /&gt;Porque sou vivo, ah, sou muito vivo&lt;br /&gt;E sei&lt;br /&gt;Que a morte é nosso impulso primitivo&lt;br /&gt;E sei&lt;br /&gt;Que cérebro eletrônico nenhum me dá socorro&lt;br /&gt;Com seus botões de ferro e seus olhos de vidro”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;2004. Depois de ter diluído conceitos da física quântica em “Quanta” e ter mergulhado em batidas eletrônicas no disco extra de “Quanta gente veio ver” - que tem a excelente “Doce de carnaval (Candy All)”, um casamento já muito bem acabado da eletrônica com a tradição da música brasileira -, Gil lança o CD e DVD “Eletracústico”, que entre outras coisas propõe a fusão obviamente anunciada no nome, representada na imagem de um violão que, no lugar de cordas, traz cabos com plugues.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que mudou de “Lunik 9” e “Cérebro eletrônico” para “Eletracústico”? Essa foi uma das perguntas que fiz para Gil na &lt;a href="http://oglobo.globo.com/online/cultura/147234116.asp"&gt;&lt;strong&gt;entrevista coletiva de lançamento do disco&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;, na última sexta-feira. A resposta que ele deu é – antes tarde que nunca – o motivo deste post.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gil disse algo assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quando fiz ‘Lunik 9’ havia a falta de informação, aliado a um ceticismo, um saudosismo evocativo de uma quimera pastoril. Acreditávamos que a máquina devia ficar restrita a um lugar bem definido, não podia invadir espaços do humano. Como quando escrevi ‘Cérebro eletrônico’. A realidade histórica tornou essa posição insustentável. "Pela internet" [que ele fez nos anos 90, falando de forma festiva do cyberespaço] já é, de certa forma, uma rendição ao trator da tecnologia.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntei se “rendição” não era um termo negativo demais. Ele respondeu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Rendição é rendição. Quando você se rende, você perde, mas também ganha com o lado vencedor. Você passa a ser do lado vencedor.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, o ponto. A “rendição” de que fala o ministro é uma proposta de postura para se tomar frente aos caminhos da cultura. Saber a hora certa de se render e, sobretudo, saber se sentir vitorioso com a rendição: taí uma lição tropicalista que serve para qualquer um que queira se manter vivo, muito vivo, com seus botões de carne e osso, frente aos cérebros eletrônicos e ao que mais vier por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OBS: Em “Lunik 9”, Gil já demonstrava certa flexibilidade: “A lua foi alcançada afinal/ Muito bem/ Confesso que estou contente também”. Vestígios de coerência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OBS 2: Em “Outros (doces) bárbaros”, excelente documentário de Andrucha Waddington sobre o reencontro do grupo em 2002, Gil falava que “gosta de gostar” das coisas, gosta de aprender a gostar – cita Sandy e Junior como exemplo. É um ato de constante rendição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OBS 3: No mesmo documentário, Gil mostra a música “Outros bárbaros”, na qual pergunta se ele e seus colegas baianos ainda têm o que fazer na cidade (referência à “cidade amada” invadida em “Os mais doces bárbaros”, espécie de hino do encontro original). Em “Eletracústico”, “Brasileirinho” e “A foreign sound”, eles mostram que, sim, têm muito o que fazer na cidade. Para o bem e para o mal da cultura brasileira. Pois existem os “novos bárbaros” que Gil anuncia na canção, mas as rédeas ainda estão nas mãos da geração de 60. De qualquer forma, é uma impressão apenas, como tudo por aqui.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-110170146285012073?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/110170146285012073/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=110170146285012073' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110170146285012073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110170146285012073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2004/11/render-se.html' title='Render-se'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-110144071369289681</id><published>2004-11-26T01:40:00.000-02:00</published><updated>2004-11-27T20:01:05.493-02:00</updated><title type='text'>Grandes caras</title><content type='html'>Disco da semana (não necessariamente o único): “Relendo Dilermando Reis”, de Raphael Rabello. Não é o tecnicamente mais preciso, mas é o melhor Raphael que já ouvi. Sozinho, ali ele aparece derramado, muitas vezes “sujando” notas, e dando à execução das músicas a imperfeição perfeita das paixões que elas sugerem. Como se não bastasse, o CD foi um presente do meu pai - eu tinha uns 17, 18. O velho me ensinou e me ensina muito de música, entre outras coisas.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-110144071369289681?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/110144071369289681/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=110144071369289681' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110144071369289681'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110144071369289681'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2004/11/grandes-caras.html' title='Grandes caras'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-110144038800378076</id><published>2004-11-26T01:38:00.000-02:00</published><updated>2004-11-26T01:39:48.003-02:00</updated><title type='text'>Linhas cruzadas</title><content type='html'>Na noite do sábado do show do Tom Zé, eu ouvia música na cozinha, enquanto lavava louça. Paula estava no quarto, meio doente, com febre – certamente efeito da noite passada, virada na casa de André e Dani de onde saímos às seis da manhã, quando ela tinha trabalhos para às 11h. No CD player, rolava uma coleção de sambas. Em certo momento, Carmem Miranda e Mário Reis cantavam “Alô alô”, gravação de 1933. A canção de André Filho usa “metáforas telefônicas” para falar de uma pessoa que não consegue – vá lá, não penso em nenhum termo melhor – “comunicação sentimental” com seu/sua amado/a (“Alô alô, responde/ Responde com toda sinceridade/ Alô alô, responde/ Se gostas mesmo de mim de verdade/ Alô, alô/ Continuas a não responder/ E o telefone/ Cada vez chamando mais/ É sempre assim/ Não consigo ligação, meu bem/ Indiferente, não te importas/ Com meus ais!”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na hora, veio à cabeça aquela história do Kraftwerk da qual eu falei há uns dias. A tecnologia de ponta da época (telefone) virou tema de samba de amor. E nada como um samba de amor para lembrar que, por trás de pulsos elétricos ou bits, pode sempre haver um “coração em lágrimas desesperado (...) dizendo alô alô”.&lt;br /&gt; Cidinho e Doca (funk da safra meados dos 90) fecharam a noite, acompanhando a última panela a ser guardada, pedindo paz e o fim de preconceitos, numa espécie de “Imagine” carioca: “Brigar pra quê? Se você for lá (na Cidade de Deus) uma vezinha só você nunca mais vai esquecer”. Tudo sobre a melodia atemporal de “Atirei o pau no gato”. Por tudo isso, um dos meus funks favoritos.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-110144038800378076?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/110144038800378076/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=110144038800378076' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110144038800378076'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110144038800378076'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2004/11/linhas-cruzadas.html' title='Linhas cruzadas'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-110144029324689001</id><published>2004-11-26T01:34:00.000-02:00</published><updated>2004-11-26T01:38:13.246-02:00</updated><title type='text'>Tom Zé e a 'ciranda descontrol'</title><content type='html'>No sábado à tarde, estive no show de Tom Zé na UFRJ, no belo e velho conhecido campus da Praia Vermelha. O evento fazia parte do projeto Trama Universitária, no qual os artistas da gravadora rodam por faculdades do país. Mais uma prova de que, independentemente de qualquer crítica que possam fazer, a Trama é boa paca de marketing. Desde sua fundação, conseguiu simpatia de jornalistas com seus “conceitos espertos”, que não raro são mais interessantes que o conteúdo de seus CDs. E agora (há uns anos, já) foca no público universitário, conquistando seus consumidores desde o berço num dos ninhos preferenciais deles. Ok, é capitalismo, é business, como gosta de dizer Roberto Justus à frente de “O aprendiz”, mas é muito mais inteligente e sutil que estratégias como o jabá para a rádio ou para a trilha da novela. Se a Trama não paga jabá? Não foi o que escrevi, mas de qualquer forma ela mostra que sabe ser mais inteligente que isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta ao campus. Queria ir lá para dar um abraço em Tom Zé, com quem converso freqüentemente por tel e mail, mas que não conhecia pessoalmente. Queria conferir o show, também claro, mas nesse tipo de espetáculo, Tom Zé, safo, volta seu foco para as canções de apelo imediato com o público, que se adequam melhor ao papel de professor subversivo que ele assume frente à molecada. Chega a ser chocante a maneira como ele deixa de lado a costumeira vaidade do “Artista” – do qual ele é a antítese, aliás – e permite que a platéia guie o show. Como no bis, quando tocava “Menina amanhã de manhã” e eles inventaram de dançar ciranda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abre parênteses: êta povo, esse de estudantes universitários, para gostar de ciranda. Qualquer aglomeração é motivo para alguém te dar a mão e começar a rodar. Jô Hallack (saudades, mandar mail pra ela) chamaria a síndrome de “ciranda descontrol”. Paula notou que a música tinha um verso que falava em roda (“Menina, ela mete medo/ Menina, ela fecha a roda”) e isso ocasionou o tal descontrol. E, temendo as conseqüências, ela se assustou quando depois do show começou a sair das caixas de som “Roda viva” (“Roda mundo/ Roda gigante/ Roda moinho/ Roda peão”). Mas parece que as batidas eletrônicas da versão de Fernanda Porto para a música afastaram da cabeça do povo a tentativa de puxar uma ciranda. Fecha parênteses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, como estava dizendo, Tom Zé permitiu que a platéia guiasse o show a ponto de sair do microfone e entregar a frente do palco para seus músicos tocarem outras cirandas.&lt;br /&gt; Depois, eu e Paula o encontramos no camarim improvisado. Sentir na pele a doçura de seu afetuoso abraço pouco depois de apreciar sua inteligência revolucionária no palco ajuda a entender porque Cristo é um ícone constante em suas canções.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-110144029324689001?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/110144029324689001/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=110144029324689001' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110144029324689001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110144029324689001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2004/11/tom-z-e-ciranda-descontrol.html' title='Tom Zé e a &apos;ciranda descontrol&apos;'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9184757.post-110081639260896477</id><published>2004-11-18T20:04:00.000-02:00</published><updated>2004-11-18T20:19:52.606-02:00</updated><title type='text'>Ein Fluß que passou em minha vida</title><content type='html'>Primeira noite do Tim Festival 2004. Tinha sido difícil deglutir Kid 606. Música interessante, mas ainda resisto a um show naqueles moldes. Levo a sério a idéia de “ao vivo”. Nada a ver com uma suposta obrigação de que músicos toquem ali, na hora – tem a ver, sim, com o fato de acreditar que palco é lugar onde deve pulsar vida. De qualquer forma que seja. E aquele sujeito parado na frente de seus computadores, sem tirar o olho dos monitores, num cenário preto, sem realmente trocar calor (ou frieza) com as centenas de pessoas que estavam na sua frente, não bate com meu conceito de “vida” – subjetivo pacas, mas que tem sua coerência. Ok, música é o mais importante, mas um show é muito mais que isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tava com tudo isso na cabeça, braços cruzados, batendo papo com o bom baiano Hagamenon quando (“Todo mundo te conhece ao longe/ Pelo som dos seus tamborins e o rufar do seu tambor/ Ô ô ô ô ô”) o Kraftwerk chegou. Não tinha visto os alemães no show do Free Jazz, nem em VHS, nem em DVD. Não sabia bem o que esperar. Tinha ouvido relatos de embasbacamento, mas relatos são relatos. Terceira pessoa não chega lá. Porém, do momento em que as sombras dos quatro foram projetadas na cortina até o fim, eu era a primeira pessoa. O embasbacado. Foi um rio - &lt;em&gt;ein Fluß&lt;/em&gt;, como acho que se diz na Alemanha - que passou em minha vida. Em banda larga, seria adequado dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com idéias incríveis, é melhor fazer uma canção – filosofia só é possível em alemão. Kraftwerk teria dado um nó na cabeça de Caetano (ou não, talvez nas entrelinhas dos versos o grupo esteja intuído, mas esse é outro papo). Idéias incríveis a serviço da boa música e da profunda filosofia, que se encontraram ali no palco, uma alimentando a outra - originalíssimas ambas. A música, pela óbvia e repisada história do Kraftwerk como inventor de boa parte do que se faz hoje na música eletrônica, do electroclash ao funk carioca. A originalidade eternamente pertinente que os criadores carregam – no caso deles, reafirmada a cada lançamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A originalidade de sua filosofia é menos óbvia. Nas projeções no gigantesco telão ao fundo do palco, sublinhadas pelos sons sintetizados (ou vice-versa), há ali uma reflexão sobre a relação homem-máquina que foge da oposição simples encontrada na ficção científica barata ou nos discursos dos apocalípticos de plantão. E não é apenas o puro fascínio pela máquina, o deslumbre irritante que a tal da eletrocultura às vezes demonstra. Dando um passo à frente em relação às duas posturas contrárias, o Kraftwerk sentencia: o homem é a máquina. Ou seja, como fruto da produção humana, a máquina (fria) é a metáfora perfeita da cultura (quente). Essa é a chave. A palavra “filosofia” não é exagero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As projeções no telão davam as pistas para quem se deixasse levar e procurasse entender a complexa relação homem-máquina que o Kraftwerk revela. As palavras “man” e “machine” se cruzando misturavam a dureza formal da poesia concreta e do grafismo soviético, enquanto as imagens faziam referência ao abstracionismo geométrico de um Volpi, formas de arte que afirmaram que o cerebral também é humano; as pernas do ciclista se integravam aos pedais e engrenagens da bicicleta, instantes antes das engrenagens virarem apenas formas digitalizadas, ideais, como no mundo fora da caverna de Platão; o mesmo acontecia com os prédios, que viravam estruturas de AutoCAD; a estética lo-fi 8 bits das calculadoras lançavam no ar a nostalgia (característica essencialmente calorosa, humana) associada à tecnologia; bailarinas de can-can feitas de neon dançavam como seus modelos de carne e osso, num jogo de espelhos; a canção “Vitamin” aproximava sintético e orgânico, com uma chuva de pílulas no telão associadas a palavras como “endorfina”, “adrenalina”, “zinco”e “selênio”; já “Computerworld”evidenciava a integração total entre vida e tecnologia pelas redes de informação (do FBI ao Deutsch Bank, passando pela esfera da comunicação, saúde e entretenimento); a postura de palco dos quatro e os robôs que os substituem no fim do show afirmam a humanidade pela aproximação com a máquina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Man, machine, machine, machine, machine” ecoa na minha cabeça até hoje. Como naquele dia, quando, sob o impacto audio-visual-intelectual, vinha à mente o Kid 606. Definitivamente, &lt;em&gt;just a kid&lt;/em&gt;...&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9184757-110081639260896477?l=cadeteresa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cadeteresa.blogspot.com/feeds/110081639260896477/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9184757&amp;postID=110081639260896477' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110081639260896477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9184757/posts/default/110081639260896477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cadeteresa.blogspot.com/2004/11/ein-flu-que-passou-em-minha-vida.html' title='Ein Fluß que passou em minha vida'/><author><name>Leo Lichote</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07774935860320482090</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
